quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Vagueando por Lisboa

01 a 04 de Dezembro de 2014

Dia 01 – 2ª feira
Eu e a minha esposa, acompanhados com o casal Madalena e Vítor Azenha, às 07H00 da manhã saímos da Figueira no Expresso e chegámos a Lisboa, às 10H00.
À chegada estava um bocado apreensivo pois tinha lido que por causa das comemorações do 1º de Dezembro havia algum condicionamento do trânsito na baixa. Foi o que aconteceu, mas felizmente só na Praça dos Restauradores, sentimos um pouco desse constrangimento.
Depois de deixarmos as nossas malas na Residencial Florescente, nas Portas de Santo Antão, começámos a visita a Lisboa com a passagem pela Praça do Rossio e pela Rua Augusta. O dia estava com uma temperatura agradável apesar de um pouco fresca, o que convidava a passear e visitar alguns locais de interesse.


Começámos por visitar o Arco da Rua Augusta usando um elevador e dois lances de escadas íngremes, que nos levou ao miradouro no topo deste arco triunfal situado na parte norte da Praça do Comércio, sobre a Rua Augusta. A sua construção começou após o terramoto de 1755, mais concretamente em 1775. Na parte superior do arco, é possível observar esculturas de Célestin Anatole Calmels, representam a Glória, coroando o Génio e o Valor, num plano inferior encontram-se as esculturas de Vítor Bastos, que representam Nuno Álvares Pereira, Viriato, Vasco da Gama e o Marquês de Pombal.
O texto inscrito no topo do arco remete-nos à grandiosidade portuguesa aquando dos descobrimentos e à descoberta de novos povos e culturas.
A vista lá de cima é espetacular.
Acabada esta visita reiniciámos o passeio pela Ribeira das Naus, um espaço público requalificado, na Frente Ribeirinha da Baixa Pombalina, uma recriação do sítio que outrora constituiu a Doca Seca cuja origem remonta aos Descobrimentos Portugueses. Esta intervenção englobou a requalificação das infraestruturas enterradas, criando uma nova avenida ribeirinha e uma escadaria que representa a nova praia urbana da cidade.
Foi devolvida ao público a Doca da Caldeirinha, uma estrutura que remonta a 1500 e que está hoje coberta de água, que podemos atravessar por um passadiço em madeira, a Doca Seca onde desde o século XVII eram recuperadas embarcações. Foi criado também um jardim cujos relvados, inclinados, recriam a configuração da antiga doca. É um espaço maravilhoso que desfrutámos e nos agradou bastante pelo ambiente que nos proporcionou.

Estávamos muito perto da hora do almoço. Assim, fomos até ao espaço há pouco tempo revitalizado, do Mercado da Ribeira, onde se juntaram alguns dos mais mediáticos chefes e restaurantes da capital. Ali se podem comer comidas diversas, consoante a nossa escolha entre alguns dos seguintes espaços, entre outros: Honorato, Asian Lab, Sea Me, O Prego da Peixaria, Pizza a Pezzi, Alexandre Silva, Henrique Sá Pessoa, Miguel Castro e Silva, Vítor Claro, Santini, Marlene Vieira, etc..


Foi neste último, Marlene Vieira, que caiu a escolha para o nosso almoço, cujo prato principal foi polvo assado com verdura. Um belo e saboroso almoço.

Reiniciámos então o passeio, agora pela Rua do Alecrim até ao Largo Camões e Chiado.

Visitámos a bonita Igreja da Encarnação situada no mítico Largo do Chiado, em frente à famosa Igreja de Nossa Senhora do Loreto. Inaugurada em 1708, foi edificada por ordem da Condessa de Pontével, D. Elvira de Vilhena, demolindo-se então parte da Muralha Fernandina do século XIV e uma torre de vigia. O conjunto destas duas Igrejas estabelecia, então, uma das nobres portas da cidade.

O templo sofreu forte destruição com o terramoto de 1755, sendo restaurado e bastante alterado em 1784. A fachada do Templo apresenta-se num estilo Neoclássico conjugada com diversos elementos ‘Rocaille’ tardios, dispondo interessantes imagens de Santa Catarina que faziam parte da antiga porta medieval.

Estávamos a meio da tarde e visitámos nos Armazéns do Chiado - Centro Comercial. Antes deste centro comercial de hoje, encontravam-se aqui os grandes armazéns que em 1894 seriam a maior loja do país. Tudo menos a fachada desapareceu no incêndio do Chiado em 1988, este novo centro comercial nasceu em 1999. Os lisboetas falam com saudade do belo interior antigo, mas mesmo assim este é um dos centros comerciais mais procurados da cidade. As lojas preferidas são a FNAC para livros e música, e o conhecido café Starbucks. No piso de cima encontra-se a área de restauração, com vista sobre a cidade.
Descemos a Rua do Carmo até à Praça de D. Pedro IV, mais conhecida por Rossio.

Fomos fazer uma visita à Confeitaria Nacional, que se localiza na Praça da Figueira. A Confeitaria Nacional foi recentemente selecionada como uma das melhores e mais antigas casas de doces da Europa.
A Confeitaria Nacional é a mais antiga confeitaria da Baixa de Lisboa. Fundada em 1829, por Balthazar Roiz Castanheiro, natural de Vila Pouca de Aguiar, em Vila Real de Trás-os-Montes. A loja começou por ocupar duas portas que dão para a Rua da Betesga, sendo ampliada por volta de 1835, tornejando para a Rua dos Correeiros. As receitas da doçaria conventual trazidas daquele Concelho, que fazem sucesso em Lisboa, habilitam-no a ser eleito juiz da Irmandade da Nossa Senhora da Oliveira, padroeira dos confeiteiros em Lisboa. O negócio prosperou mesmo após a sua morte, em 1869, e ainda hoje está na posse dos seus herdeiros. Baltazar Castanheiro Júnior, que sucedeu ao seu pai, realizou importantes melhoramentos na loja, tendo também aberto um salão de chá no andar superior. A família de Balthazar Castanheiro orgulha-se de ter trazido a receita do bolo-rei para Portugal e tê-la transformado numa instituição sem rival no mercado confeiteiro. Ainda hoje mantêm o critério de seleção dos ingredientes utilizados e o cumprimento rigoroso da receita secreta seguida há mais de 180 anos. Altamente conceituada, a Confeitaria Nacional recebeu uma medalha na Exposição Universal de Paris de 1878. Participou, também, na Exposição Universal de Viena de Áustria de 1873, onde apresentou as suas frutas cristalizadas e compotas de fruta. A sua decoração de traça pombalina com pinturas murais, a vista para a Praça da Figueira, uma das mais emblemáticas da cidade de Lisboa, e a sua doce qualidade centenária, fazem da Confeitaria Nacional um local de requinte que não pode deixar de visitar!

Entretanto estava na hora de fazer o Check-in na residencial. Foi o que fizemos. Após termos descansado um pouco, pois o dia foi muito ocupado saracoteando por esta Lisboa, fomos jantar ao restaurante “O Churrasco”, ali na rua das Portas de Santo Antão.
Restaurante especializado em grelhados onde o frango assado no espeto, é para mim o melhor. Ao contrário da maioria dos espaços, aqui o frango é assado inteiro no espeto. Mas não posso deixar de realçar que o senhor que atentamente coloca os frangos e as outras peças no grelhador é da maior competência e simpatia. Também o que mais me agrada nesta casa é o serviço de mesa, que para além de ser atento e cuidadoso, têm a qualidade de reconhecerem os clientes quando ali voltam. Acontece comigo e com a minha mulher, até me sinto à vontade de os cumprimentar, à chegada e à saída, pelo respeito que sinto por eles. Cortesias e atenções que nos dias de hoje já não estamos habituados. Mas nesta noite o nosso jantar não foi o frango mas sim, uma bela costela de novilho na brasa, que simplesmente estava divinal. Recomendo sem receios este restaurante.


A nossa noite ainda não tinha terminado pois fomos ainda dar um passeio até à Praça do Comércio, ver as iluminações do Natal. Ficámos dececionados pois a grande Árvore de Natal estava com a iluminação reduzida a menos de metade.
Só nos restou regressar aos quartos para um repouso bem merecido, pois o dia seguinte também se calculava ser um pouco cansativo.

Dia 02 – 3ª feira
Após uma noite reparadora, às 09H45, estávamos na sala do pequeno-almoço.
Pelas 10H30, entrámos na estação do metro dos Restauradores.

Dirigimo-nos para o Rato para visitar o Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras, conhecido apenas por Mãe d'Água das Amoreiras, é o depósito (o cálice) que recolhe as águas provenientes do Aqueduto das Águas Livres. Foi desenhado pelo arquiteto húngaro Carlos Mardel  (1696-1763), projetado em 1745 e construído no Jardim das Amoreiras, ficando concluído em 1834. A este edifício está anexado um outro, a Casa do Registo, de onde partem duas das principais galerias distribuidoras das Águas Livres, a do Loreto e a da Esperança, para além de uma terceira, mais pequena, que abastece o Chafariz do Rato. Atualmente este espaço, integrado no Museu da Água da EPAL, é utilizado para exposições de arte, desfiles de moda e outros eventos.


De linhas arquitetónicas de uma sobriedade invulgar, a construção assenta sobre um envasamento elevado em relação às ruas circundantes e onde, no interior, surge a cascata e a Arca d'Água com 7,5 metros de profundidade e uma capacidade de 5.460 m³.
Após esta visita já em pleno Largo do Rato, tendo como intenção a visita à Basílica da Estrela, deparámo-nos com um edifício que era uma igreja apesar de não o parecer à primeira vista. Fizemos então uma visita a este antigo Convento das Trinas do Rato, hoje a Igreja de Nª Srª da Conceição. No seu interior fomos abordados por um senhor chamado António, que nos contou a história da igreja com uma mistura religiosa e lenda que nos fascinou, pela maneira como relatou alguns fatos da história desta igreja. Ficámos curiosos em ver umas Rosas da Galileia, que segundo a história tinham relação com esta igreja e que se encontravam no Jardim da Estrela.

E assim visitámos o Jardim da Estrela, que foi criado em meados do século XIX, em frente à Basílica da Estrela. Nos anos 70 do século XIX, existia um leão na sua jaula, conhecido por Leão da Estrela, instalada num pavilhão próximo da entrada da Avenida Pedro Álvares Cabral. O jardim foi construído ao estilo dos jardins ingleses, de inspiração romântica. Uns dos pontos centrais do jardim é o coreto verde de ferro forjado. Foi aqui perto do coreto que descobrimos uma lápide com o nome de “Rosas da Galileia”, no meio de umas dezenas de rosas avermelhadas. O jardim possui vários elementos de estatuária: a Fonte da Vida, Busto de Antero de Quental, Busto do Actor Taborda, a Filha do Rei Guardando Patos ou a Guardadora de Patos, o Cavador e o Despertar. Possui seis entradas, destacando-se duas que remetem a um dos extremos da Avenida Pedro Álvares Cabral e duas que dão para o Largo da Estrela, onde deparamos com a Basílica da Estrela.
Visitámos a Basílica da Estrela, que é um templo católico e antigo convento de freiras carmelitas. O templo apresenta características do estilo barroco final e do neoclássico. A fachada é ladeada por duas torres gémeas e decorada com estátuas de santos e figuras alegóricas. O amplo interior, de mármore cinzento, rosa e amarelo, iluminado por aberturas na cúpula, infunde respeitoso temor. Foi a primeira igreja no mundo dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. D. Maria I é a única monarca portuguesa da dinastia de Bragança que não se encontra no Panteão dos Braganças mas sim nesta Basílica que ela mesma mandou erguer.

Era a hora do almoço e foi por aquelas bandas que o nosso repasto se concretizou, com os seguintes pratos principais: Favas à portuguesa e Arroz de Pato no forno. Estavam os dois pratos uma delícia. Já reconfortados seguimos para o Rato onde apanhámos o metro até à Avenida.

Ali perto fomos visitar a Casa-Museu da Fundação Medeiros e Almeida que nos faculta o usufruto da coleção de obras de arte reunida na Casa que foi a residência de António Medeiros e Almeida (1895-1986), desde o início dos anos 40 do século XX.



A Casa Museu possui duas áreas museográficas únicas, a primeira habitada pelo instituidor e em que foi mantido o ambiente original, a outra construída nos terrenos do antigo jardim da casa, utilizando peças originais adquiridas pelo colecionador. Esta casa conta uma história ao longo de 25 salas que apresentam coleções europeias de pintura, mobiliário, tapeçaria, arte sacra, vidro e joalharia com adereços e peças avulsas do séc. XVII até à atualidade. Podemos contemplar a coleção de relógios com cerca de 225 peças, é considerada uma das maiores da Europa e inclui relógios de bolso desde 1620 a 1968. Também podemos admirar a coleção de Cerâmica Chinesa com peças de terracota e porcelana desde 220 a.C. até ao século XIX.
Esta minha visita a esta casa foi já a terceira e confesso que não me canso de o fazer.

Para acabar o dia escolhemos ir passear pelo Centro Comercial Colombo, que foi inaugurado a 15 de Setembro de 1997, A arquitetura do espaço, bem como a sua decoração original, foram adaptadas à época dos descobrimentos portugueses, um dos períodos mais importantes da história de Portugal. Por ali andámos até à hora do jantar.

Depois deste voltámos ao metro que nos levou até à baixa para nos recolhermos aos nossos aposentos para mais uma noite repousante. O dia seguinte previa-se também ser cansativo.

Dia 03 – 4ª feira
Eram 09H30 quando tomámos o pequeno-almoço.
O dia estava cheio de sol mas frio. Nada que nos impedisse para um bom passeio a uma das zonas bonitas de Lisboa, o Parque das Nações. Mais uma vez entramos na estação do metro dos Restauradores (linha azul), saímos na de São Sebastião e que nos dava ligação com a linha vermelha, até à estação do Oriente.

Chegados ao Parque das Nações encaminhamo-nos para a Fil - Feira Internacional de Lisboa, onde fomos visitar o Mercado de Natal Natalis, que tinha acabado de abrir as suas portas. Este evento irá decorrer entre o dia 3 e 7 de Dezembro e é dedicado ao Natal. Foi um local onde encontramos um ambiente natalício, com presentes originais, aromas deliciosos, brilho festivo e sons natalícios. Os produtos da gastronomia, doces, vinho quente, licores e muitas outras especialidades eram muito procurados. Também havia uma árvore de Natal, um presépio, artesanato, livros, elementos para decoração, música, utilidades domésticas,  moda e acessórios, ourivesaria, desporto,  viagens, entre outros.

Mas o tempo foi passando e sem darmos por isso chegou a hora do almoço, ou melhor, fomos almoçar um pouco para além da hora habitual.
Então optámos por escolher um restaurante ali perto na zona ribeirinha do Parque das Nações, com excelentes vistas para o Tejo. Foi o Restaurante D' Bacalhau, especializado na confeção de bacalhau! Como entradas oferecem, pães, azeitonas com alho, queijo de azeitão, pastéis de bacalhau, manteiga, à nossa escolha e tudo muito delicioso. Como eu e a minha esposa já conhecíamos este restaurante, sugerimos um misto de quatro pratos de bacalhau: com natas, ao Brás, com broa e a lagareiro, para quatro pessoas.

Garfada daqui, garfada d'acolá, ou seja, uma dose de cada uma dos quatro pratos para cada um e a avaliação final não podia ser melhor: soberbo! Tudo bom!
Após este repasto, não podíamos fazer melhor do que um passeio pela zona ribeirinha com excelentes vistas para o Tejo. Este é o local perfeito para passar uns bons momentos de lazer com amigos.
Para acabar este dia, não podíamos deixar de visitar o Centro Comercial Vasco da Gama, com as suas decorações natalícias.
Foi assim que chegou o final de mais um dia a deambular por esta Lisboa, que tem sempre tanto para visitar.
Regressámos então do mesmo modo, o Metro, à Baixa pombalina.
Após um curto descanso nos nossos quartos, fomos jantar, no restaurante “Frágil Mar Lda”, da Rua dos Correeiros. Um ótimo comer de grelhados.

Era a nossa última noite que passávamos nesta nossa visita a Lisboa e fomos até à Praça do Comércio, onde estava a decorrer um mega evento que juntou rádio, televisão e responsabilidade social.


O Toca a Todos era o nome desse evento e a causa era a luta contra a pobreza infantil, sempre com o carimbo da RTP+. Estivemos a assistir ao espetáculo dos Clã que foram os primeiros cabeça de cartaz a subir ao palco do Toca a Todos e deram música no Terreiro do Paço, das 22h00 até cerca das 23:20, que para além de apresentarem músicas novas, canções do álbum para crianças, clássicos, também cantaram o hino do Toca a Todos: o “Asas Delta”. Foi um concerto muito agradável.
Uma ótima noite que ali fomos passar.



Dia 04 – 5ª feira
O último dia desta nossa visita a Lisboa começou com um ótimo pequeno-almoço.
Entretanto estava na hora de fazer o Check-out da residencial.

Como ainda tínhamos a manhã para alguma coisa, optámos para ir visitar o MUDE - Museu do Design e da Moda. Situado na Rua Augusta, “paredes meias” com o Arco com o mesmo nome, este museu é uma oferta cultural e artística, que se encontra instalado num magnífico edifício que outrora foi sede de um banco.
Este edifício remodelado para albergar, em quatro pisos, uma mostra de objetos com ligação ao mundo do design e da moda.
Começámos a nossa visita pelo PISO 0, com uma exposição de longa duração com uma apresentação histórica e com uma organização cronológica de mobiliário, luminária, vestuário e acessórios, eletrodomésticos, pequenos objetos e dois veículos.
Esta exposição propõe um olhar sobre os principais movimentos e estilos do século XX, desde a Art Déco ao Grupo Memphis, passando pelo funcionalismo dos anos 50, a Pop e a Space Age dos anos 60, chegando ao pluralismo da atualidade.
Em seguida passámos às exposições temporárias.

No PISO 1, visitámos duas exposições sobre a cultura e o design nipónico com o título Japão a Cru. Ambas exposições abordam questões muito atuais, como a preservação dos recursos materiais, o respeito pela natureza, a reutilização ou transformação dos materiais e a duração de vida de cada produto.
A primeira: Boro – Um Tecido de Vida, apresenta 54 peças (quimonos, bolsas, tatamis) elaboradas através do método Boro. “Boro” significa farrapo e consiste em cerzir tecidos diferentes, tingindo, posteriormente, as peças têxteis em índigo. Esta foi uma técnica corrente no Japão desde o final do século XVIII até meados do século XX. Os têxteis Boro espalharam-se por todo o Japão, durante cerca de 200 anos, já que a estrutura socioeconómica manteve-se inalterada até ao início do século XX.
Estas peças eram raramente em algodão, pois este material destinava-se a classes mais abastadas. As peças Boro eram tecidas a partir de plantas autóctones como o cânhamo, rami, amoreira de papel, glicínia e urtiga. Os camponeses compravam retalhos e roupas usadas transformavam-nas em peças únicas japonesas de forma a obter têxteis mais resistentes.
A segunda: Puras Formas, mostra 200 objetos destinados à cozinha, eletrodomésticos, mobiliário, brinquedos, em alumínio, fabricados no Japão entre 1910 e 1960. O alumínio foi considerado o material moderno do século XX e teve o seu apogeu durante a II Guerra Mundial. No início da Guerra, todos os materiais se esgotaram rapidamente e o alumínio torna-se o material de escolha para o fabrico de aviões de guerra, armas e frota naval. Este material era facilmente trabalhável, bem como reciclado e transformado. Durante 50 anos, estes objetos foram concebidos por designers anónimos e produzidos por artesãos, em pequenas oficinas.

No PISO 2, deparámo-nos com uma exposição da celebração dos 10 anos IKEA Portugal. O ponto de partida desta proposta IKEA é o resultado dos estudos de público realizados ao longo desta década e que podem contribuir para o retrato do modo como os portugueses vivem a sua habitação.  "A vida em casa é igual em todo o mundo.

As pessoas têm exatamente os mesmos sonhos e necessidades. Em todo o lado, as pessoas comem, dormem, convivem, tomam banho, vestem-se, cozinham e precisam de muito espaço, entre outras coisas, para arrumação. No entanto, ao mesmo tempo, a vida em casa é algo muito característico de cada cultura. Os nossos sonhos, ideias, necessidades diárias são um reflexo de quem somos e de como vivemos em casa e em sociedade”.

Finalmente no PISO -1, encontrava-se a exposição sob o título “Por Detrás das Sombras”, que evoca uma das peças de acessório com maior transformação ao longo dos tempos, apresentando uma seleção da Coleção André Ópticas (com mais de 3000 peças vintage), dando a conhecer algumas das peças mais importantes da história dos óculos.

Na sala dos cofres, a seleção de cerca de 400 óculos destaca as principais marcas, estilos, autores e alterações nas formas e materiais que marcaram a evolução dos óculos dos anos 1950 até à atualidade.

Chegada a hora do almoço, optámos novamente pelo restaurante “O Churrasco”.
Mas a hora de partida de Lisboa para a Figueira da Foz, também chegou.
Só nos faltava fazer um desejo: até à próxima Lisboa!

Pelas 15H45 saímos de Lisboa no Expresso e chegámos cerca das 18H45 à Figueira da Foz.


Nota: alguma da informação e fotos presentes foram retiradas da net.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

PASSEIO AO “FESTIVAL DA CASTANHA” DE CARREZEDO DE MONTENEGRO

08 e 09 de Novembro de 2014

Sábado, 08
Às 08H00, saímos do Largo da Igreja de Tavarede. Iniciamos esta viagem, após termos comemorado 20 anos a passear juntos, o que aconteceu no passeio Mistério realizado no pretérito dia 05 de Outubro do presente ano.
Este passeio foi orientado pela esposa do organizador, Ilda Simões, já que o Tó Simões se encontrava doente.
Junto à Barragem da Aguieira, num café ali perto, fizemos a primeira paragem para uma primeira confraternização com todos os companheiros, aproveitando para um café e uma ida ao wc…
A seguir o nosso destino foi Vila Pouca de Aguiar, vila do Distrito de Vila Real. Conhecidas nos primórdios da nacionalidade como as terras de Aguiar de Pena, nome tirado do velho castelo roqueiro, assente num penedo colossal que seria uma das referências da região, com o nome de Aguiar advinha-lhe do facto de ser um povoado de águias. Património: Antas da Serra do Alvão, Castelo de Aguiar, Pelourinho de Alfarela de Jales, Estátua–Estela de Jales, Minas Romanas de Covas de Jales (Freguesia de Tresminas), Covas de Jales, Cidadelha de Aguiar, Igreja de Santa Eulália,  Barragem da Falperra – Alvão, Ponte do Arco – Barrela, Ponte da Ôla – Bragado,  Ponte Românica – Cidadelha, Ponte de Arame – Monteiros, Sepulturas Medievais, Moinhos, Relógios de Sol, Fontes de Mergulho, Alminhas, Canastros.
Fizemos um pequeno passeio que nos levou até à feira do cogumelo no Mercado Municipal, integrada na XIII Mostra Gastronómica. Pouco mais deu para ver já que começou a chover bastante e assim embarcamos no autocarro para seguir o passeio.
O nosso objetivo então foi Carrazedo de Montenegro, freguesia do concelho de Valpaços. Carrazedo vem de carrasco, espécie de carvalho. O motivo do determinativo «Montenegro» dado a Carrazedo será devido ao escuro da vegetação da serra da Padrela (monte negro). Património: Igreja de S. Nicolau, Capela do Mártir S. Sebastião, Solar do Coronel Tito Lívio Barreira e outras casas brasonadas, Capela de S. João Baptista, Capela de Santa Luzia, Cruzeiro da Torre, Capela e Cruzeiro de S. Sebastião, Capela de N.ª Senhora da Natividade, Santuário de N.ª Senhora dos Milagres, Cerco da Avarenta (Avarenta), Casa senhorial de Argemil., Gravuras rupestres do lugar de “As Portas”, Fontes (Fonte da Rua, Fonte do Prado, Fonte da Urze, Fonte da Portela).
A chegada a Carrazedo de Montenegro foi feita debaixo de um grande temporal: muita chuva, vento e frio. O nosso almoço foi combinado pelo Tó Simões e o Presidente da Junta de Freguesia. O repasto foi num pavilhão muito grande não totalmente fechado onde para além do piso estar totalmente molhado, o frio fazia-se sentir com bastante intensidade. O comer estava razoável e fomos servidos com muita simpatia, amenizando assim o nosso desconforto.
Após o almoço num pavilhão vizinho encontravam-se barraquinhas que vendiam produtos da região, onde fizemos compras.
Foi assim a nossa visita à XVIII Castmonte - Feira da Castanha 2014, com animação musical: banda de música, rancho folclórico, conjuntos musicais, grupo de bombos e concertinas serão uma constante, assim como a vertente desportiva, donde se destaca a montaria ao javali. Para este ano o Bolo de Castanha com 600 kg, a ser distribuído ao público na tarde de domingo, bem como o Concurso da Castanha e da Jeropiga.
Como novidade, haverá o Concurso de Doçaria da Castanha, que irá premiar quem inovar na produção de doces em que faça parte da composição o fruto que brota dos centenários soutos da região. Beynat, cidade francesa com a qual a vila de Carrazedo de Montenegro possui um protocolo de geminação, também estará representada no evento, por uma equipa que dará a conhecer vários outros produtos que poderão ter a castanha como base da sua confeção. Os visitantes poderão adquirir, além da castanha, produtos e doces confecionados com este fruto, vinho, azeite, folar, bolo podre, maçã, entre outros. Mais de uma dezena de restaurantes aderentes, irão servir o lombo de porco com castanhas, o bolo de castanha, entre outras especialidades gastronómicas deste concelho.

Então deixou de chover e foi assim que deixamos Carrazedo de Montenegro um pouco mais cedo do que estava previsto. Continuamos o nosso passeio até terras de Valpaços, cidade sede de município, criado em 1836 por desmembramento de Chaves. Os primeiros documentos escritos que citam Valpaços datam do séc. XII. Guerra da Patuleia, é o nome dado à guerra civil entre Cartistas e Setembristas na sequência da Revolução da Maria da Fonte. Foi desencadeada na sequência do golpe palaciano de 6 de Outubro de 1846, conhecido pela Emboscada, de um governo claramente cartista presidido pelo marechal João Oliveira e Daun, Duque de Saldanha. A 16 de Novembro, aconteceu a Ação de Valpaços, onde as forças governamentais do conde de Casal venceram as de Sá da Bandeira, comandante das forças da Junta. Esta guerra civil teve uma duração de cerca de oito meses. Segundo a lenda, participou neste conflito o famoso Zé do Telhado, que inclusivamente teria salvo a vida ao visconde de Sá da Bandeira, ele que até fora lanceiro da rainha antes de se tornar salteador!
Património: a igreja paroquial, muito ampla e de uma só nave. No interior, pode observar-se o arco cruzeiro que separa a capela-mor (onde se pode ver uma bonita imagem de Santa Maria Maior) do restante corpo do edifício; os solares da vila, dos quais o mais antigo é o solar dos Morgados da Fonte ou de "S. Francisco de Valpassos. Gastronomia: o Folar de Valpaços, o presunto, o salpicão, as linguiças, as alheiras, o cabrito assado ou estufado, o cozido à transmontana, a feijoada à transmontana, os milhos, o Pão de centeio, Couve penca, Batata de Trás-os-Montes, o mel as deliciosas amêndoas, a sopa de castanhas e o seu apreciado vinho.
Aqui já não chovia mas fazia um pouco de frio, mas podemos conhecer um pouco esta cidade.
A tarde já começava a cair ou melhor já anoitecia mais depressa do que era necessário.

Dirigimo-nos até a Mirandela, cidade do distrito de Bragança, situada nas margens do rio Tua e é chamada de Princesa do Tua. Caladunum era o antigo nome da atual cidade de Mirandela. Património: Ponte sobre o rio Tua; Ponte de pedra sobre o rio Tuela ou Ponte Românica sobre o rio Tuela ou Ponte de Torre de Dona Chama; Pelourinhos:  Abreiro,  Frechas,  Lamas de Orelhão, Mirandela e Torre de Dona Chama; Igrejas: de São Tomé de Abambres, de Santo André de Avantos, da Misericórdia de Mirandela e a de Guide; Paço dos Távoras, Solar dos Condes de Vinhais, Castelo de Mirandela, Castro de São Juzenda, Abrigos rupestres do Regato das Bouças ou o Castro de São Brás em Torre de Dona Chama. Gastronomia: Situada na Terra Quente, agricolamente rica, o azeite é produto chave na economia do concelho. Mas a alheira tem um papel preponderante no setor industrial da região, conhecida em todo o mundo e votada uma das Sete Maravilhas Gastronómicas de Portugal. Queijo de cabra transmontano (DOP), Queijo Terrincho (DOP), Carne de porco Bísaro Transmontano (DOP), Butelo de Vinhais (IGP), Alheira de Vinhais (IGP), Alheira de Mirandela (IG).
A chegada a esta cidade deu-se sem chuva. O frio continuava a estar presente.
O Grande Hotel D. Dinis ***, onde dormimos, está situado no coração da cidade de Mirandela e oferece vistas sobre o Rio Tua. Com uma localização conveniente, o hotel oferece acesso fácil para os destinos imperdível da cidade e fornece o melhor em serviços e amenidades. Com 129 (120 quartos + 9 Suites) quartos de alta qualidade e cada quarto é climatizado e dispõe de uma televisão. Tomamos conta dos nossos quartos no hotel. Descansamos um pouco e ainda antes do jantar tivemos tempo para dar uma volta pelas redondezas.
O jantar incluiu entradas (não faltou alheira), pão, sopa de legumes, prato principal de carne, sobremesa, bebidas; tudo estava muito bom. O serviço dos funcionários foi ótima.

Após uma noite bem repousada, acordámos com uma manhã fria mas sem chuva.
O pequeno-almoço foi diversificado substancial e saboroso.
Saímos do hotel, arrumamos as malas no autocarro e assim começamos o 2º dia de viagem.

Domingo, 09
Após pararmos no caminho para um café, o que aconteceu perto da barragem do Pocinho, com o rio Douro aos nossos pés.
Chegamos à Guarda, cidade situada no último contraforte Nordeste da Serra da Estrela, a 1056 metros de altitude, sendo a cidade mais alta de Portugal. A Guarda é conhecida como «A cidade dos 5 F's», a explicação mais conhecida e consensual (entre outras) diz que estes significam Forte, Farta, Fria, Fiel e Formosa. A explicação destes efes é simples: Forte: a torre do castelo, as muralhas e a posição geográfica demonstram a sua força; Farta: devido à riqueza do vale do Mondego; Fria: a proximidade à Serra da Estrela; Fiel: porque Álvaro Gil Cabral – que foi Alcaide-Mor do Castelo da Guarda e trisavô de Pedro Álvares Cabral – recusou entregar as chaves da cidade ao Rei de Castela durante a crise de 1383-85; Formosa: pela sua natural beleza.
Iniciamos a nossa visita à cidade dos 5 F’s, onde comprovamos um dos F – fria. Digo eu, horrorosamente fria.
Apesar disso visitamos a Sé Catedral da Guarda, erguida no seguimento do pedido de D. Sancho I ao Papa Inocêncio III para transferir a diocese de Egitânia para a nova cidade da Guarda. Da original construção, de estilo romântico, nada resta. Seria mandada construir por D. Sancho II uma segunda catedral, no local onde se situa a atual Igreja da Misericórdia, concluída no séc. XIV, mas mais tarde destruída.
A Sé da Guarda é um imponente edifício, que esmaga a Praça de Camões. Começou a ser construída por ordem de D. João I, em 1390, mas as obras só terminaram no século XVI. A imponência da Sé provém das duas torres, que fazem lembrar um castelo. As gárgulas são todas curiosas, com as suas grandes bocas escancaradas, viradas cá para baixo.
Mas o chamado “Cu da Guarda” bate-as a todas! É uma gárgula colocada num local recôndito, de difícil visão, na absidiola Sul, reflete uma atitude provocatória e de escárnio para com o reino vizinho, relembrando a histórica animosidade existente entre os dois reinos de Portugal e Castela.

“Cú da Guarda”, é uma gárgula que exibe um enorme ânus virado para Espanha. Embora existindo outros exemplares semelhantes no território português, esta é pelo seu realismo uma das mais interessantes de todo o conjunto e, à semelhança de outras gárgulas rabo-ao-léu, também aqui são visíveis os órgãos sexuais masculinos entre uns pormenorizados dedos dos pés. O autor é anónimo, mas sabendo-se da inimizade entre os reinos de Portugal e de Castela, não admira que o próprio bispo tenha aprovado a ideia - embora a Sé talvez não fosse o local ideal para esta brincadeira...
Em seguida visitamos a Igreja da Misericórdia é marcada pela sua verticalidade, evidenciada pelo contraste das paredes brancas com o volumoso e animado trabalho de cantaria - nos portais, janelas, baldaquino e cunhais. A frontaria da igreja é delimitada por duas esbeltas torres sineiras terminadas em balaustradas, com fogaréus nos ângulos, envolvendo os coruchéus moldurados de perfil bojudo e coroados por cataventos. Destacam-se ainda nas torres as suas altas ventanas, em arco de volta perfeita, seguidas inferiormente por dois óculos elipsoidais e duas janelas, sendo a última de pequenas dimensões e a primeira de sacada.
Como ainda faltava um pouco para a hora do almoço, passeamos pelas ruas da judiaria. O centro histórico da cidade da Guarda ainda conserva traços do antigo bairro judeu. As casas tinham, em tempos mais remotos, apenas um andar. A partir do século XIV, as casas dos comerciantes tinham duas portas: uma mais ampla que conduzia à loja e uma menor que era a porta da residência.
Porta do Sol era a porta de entrada para a antiga judiaria, marcada pela vivência de uma comunidade judaica do séc. XIII, onde os simbolos mágico-religiosos nas ombreiras das portas são uma presença constante.

Gastronomia: Caldo de Grão, Bacalhau à Conde da Guarda, Bacalhau à Lagareiro, Cabrito Assado, Morcelas da Guarda e Arroz Doce. Património: Igreja de São Vicente, Igreja da Misericórdia, Portas da cidade (do Sol, da Erva, Del Rei e Falsa), Torre dos Ferreiros, Torre de Menagem (Castelo da Guarda), Muralhas da cidade, Capela de Nossa Senhora do Mileu, Estação arqueológica da Póvoa de Mileu, Capela de São Pedro de Verona, Paço Episcopal, Paços do Concelho, Solar do Alarcão, Solar dos Póvoas, Antigos Paços do Concelho, Pelourinho da Guarda ou Cruzeiro da Guarda, Judiaria da Guarda, Casa do Alpendre, Casas dos Magistrados, Hotel Turismo da Guarda, Convento de São Francisco da Guarda ou Convento do Espírito Santo, Antigo Colégio do Roseiral, Complexo do ex-Sanatório Sousa Martins ou Hospital da Guarda, Chafariz de Santo André, Castro do Jarmelo, Castro de Tintinolho, Solar da Rua do Encontro, Cabeço das Fráguas, Anta de Pêra do Moço, Ponte antiga de Valhelhas, Pelourinho de Valhelhas, Igreja Matriz de Aldeia Viçosa.
Chegou então a hora do almoço. Dirigimo-nos para o Restaurante Aliança localizado no centro da Guarda, num edifício com 50 anos de idade, a 3 minutos a pé da Sé da Guarda e a 100 metros da Igreja da Misericórdia.

A ementa foi excelente: Entradas - Strudel de alheira, Chamusas, Rodelas de chouriço, etc.; Sopa de peixe; Naco de novilho; Arroz doce, Doce de castanha, etc….
Após este ótimo almoço, como ainda faltava algum tempo para partirmos e como o frio continuava a atrapalhar fomos até ao “Centro Comercial Vivaci”, local muito mais agradável em termos de temperatura.
Partimos então para o regresso a casa, mas ainda parámos no caminho para uma visita com “prova de queijos e compotas” na Quinta da Lagoa. Situada na vila de Canas de Senhorim, concelho de Nelas, a Quinta da Lagoa integra-se no Planalto Beirão, sendo constituída por áreas de pastagens envolvidas por floresta de pinheiros e carvalhos.
Atravessam-na ribeiros afluentes do rio Mondego e dela avista-se, em grande plano, a Serra da Estrela. Para a produção do Queijo Serra da Estrela Quinta da Lagoa só é utilizada a produção das suas ovelhas, da raça Serra da Estrela. O Requeijão Serra da Estrela D.O. é excelente acompanhado por diversos doces, mel ou simplesmente acompanhado por pão caseiro.
Marca de Certificação permite identificar um Queijo Serra da Estrela quando este não é adquirido no produtor, evitando que o consumidor seja enganado. A D.O.P. identifica um produto originário da sua Região de Produção, por isso apenas o Queijo Serra da Estrela pode ostentar esta designação no seu rótulo.

Após esta última paragem e com as compras já concluídas, finalmente o nosso destino foi Tavarede, onde chegámos perto das 20H30.