terça-feira, 17 de maio de 2016

Os MosKeteiros na Região da Costa de Prata

14 de Maio de 2016

Ovar e Figueira da Foz: 81,36 km - Distância em linha reta; 106 km - Distância de condução; 1 hora 11 min. - Tempo de condução estimado.

Saída às 09H30 para o itinerário: Mira; Aveiro - Eixo: “Lugar dos Afetos”; Pateira de Fermentelos (Águeda); Estarreja; Válega (Ovar); Murtosa; Costa Nova; Vagos; Tavarede.
A Costa de Prata fica situada entre as cidades de Lisboa e do Porto e atravessada pela maior auto-estrada do país (A1) quer em direção ao sul, quer em direção ao norte. As suas temperaturas amenas e as suas praias de areia branca proporcionam ao visitante a oportunidade de escolher entre os desportos aquáticos e o sossego de viver perto do mar. As suas primaveras e a abundante vegetação das suas florestas seculares tem preservado toda a sua natureza. Os mosteiros, os conventos, os castelos, as igrejas e os museus são a prova viva da sua preciosa herança histórica e artística de valor reconhecido universalmente. Como uma das regiões mais desenvolvidas do país, a Costa de Prata alberga tesouros famosos da arte tradicional, como a porcelana e os cristais. A gastronomia reflete a riqueza cultural e a biodiversidade da Região, o que se traduz em pratos como a sopa, caldeirada de enguias e de peixe e uma variedade de receitas de bacalhau. Também a carne tem o seu lugar à mesa, com o afamado leitão à Bairrada, a chanfana (de borrego ou de cabrito), entre outras iguarias. Uma doçaria rica pode encontrar-se na Região de Aveiro, onde os ovos-moles há muito conquistaram a preferência dos visitantes.

Passagem por Mira que é uma vila do distrito de Coimbra, antigamente designada por Palheiros de Mira, por causa das casas típicas dos pescadores: uma simples construção de madeira sobre grandes estacas para a proteger das inundações e da erosão da areia.

Em seguida chegamos a Aveiro, cidade com paisagens atraentes e recursos naturais, possuindo um turismo balnear, de natureza e termalismo. A região é composta pelos concelhos de Águeda, Albergaria-a-Velha, Anadia, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Murtosa, Oliveira do Bairro, Ovar, Sever do Vouga e Vagos. Aqui podemos apreciar as suas tradições regionais, o património arquitetónico e a gastronomia. A Ria de Aveiro, é única no género no nosso país, proporcionando momentos de prazer e de uma agradável integração na Natureza.

O nosso objetivo era o de visitar a Pateira e Fermentelos.
Mas pelo caminho passamos pela localidade de Eixo, onde existe o Lugar dos Afetos, que decidimos visitar.
Este é um lugar mágico e onde se pretende dar continuidade à mensagem dos livros e Jogos de Afetos concebidos por Graça Gonçalves, mentora e autora deste projeto inovador. O objetivo é que "todos, em qualquer idade, possam descobrir um caminho para chegar ao coração de si próprios e dos outros". Pensado e construído de modo a comportar várias casas temáticas, inclui também caminhos, jardins e recantos muito especiais.”

Estivemos na entrada deste espaço mas infelizmente não o pudemos visitar. O horário de abertura era às 15H00. Eram 11H00 quando lá chegámos e o nosso passeio seria prejudicado se tivéssemos de alterar o itinerário. Este é um espaço muito interessante e agradável que pessoalmente já tenho o prazer de conhecer.
Decidimos visitar este lugar noutra altura.

Seguimos entretanto na direção da Pateira de Fermentelos, que é a maior lagoa natural da Península Ibérica de grande interesse turístico. A Pateira de Fermentelos ou simplesmente Pateira está localizada no triângulo dos concelhos de Águeda, Aveiro e Oliveira do Bairro, antes da confluência do Rio Cértima com o Rio Águeda: “É uma zona muito rica em fauna, flora e espécies aquáticas, incluindo diversas espécies de aves tais como: rabilas, curtos, pica-peixes, e vários tipos de patos. Na flora podemos encontrar desde de nenúfares, canizia e bonhos. A nível piscatório existe machigã, lúcio, carpa, tainha, perca, sendo conhecida pelos seus pimpões existem também grandes quantidades de lagostins-vermelhos e variados tipos de rãs.”
Como já estava a aproximar-se a passos largos a hora do almoço, decidimos seguir o nosso passeio em direção à Gafanha da Nazaré.
Aqui deixo uma curiosidade sobre a origem da palavra Gafanha.
“Há pelo menos 4 versões acerca do nome desta cidade:
1.ª versão: Diz uma que certa mulher, atacada de lepra, viera para aqui habitar por não ser consentida em outros lugares, de onde a população a expulsara em horror do seu miserando estado. Alcunhavam-na de Gafanha, e assim entraram a chamar ao sítio em que ela vivia, isolada e desolada.
2.ª versão: Sendo o sítio bastante afastado de outras terras, veio estabelecer um Hospital de Leprosos (gafaria), não se sabe quem, nem quando, pois que nenhum indício existe de tal Hospital.
3.ª versão: Gafanha - lugar onde se paga o Gafar. Esta palavra é árabe e significa um tributo, que se pagava pela passagem de qualquer ponte do estado, ou rio, em barco para esse fim posto ali. Ora, desde tempos remotos houve aqui 1 ponte de madeira sendo possível que os árabes instituíssem o tributo em questão, visto ser mais que muito averiguado terem eles dominado nestes territórios por bastos anos.
4.ª versão: Nessa zona, havia a proliferação de canas, pelo que, as populações vizinhas vinham à actual zona das Gafanhas para apanhar canas com uma "gadanha". Daí a palavra evoluiu até se tornar Gafanha.”

Chegados à Gafanha da Nazaré, procuramos um restaurante com gastronomia da região. Escolhemos o restaurante “A Traineira”, satisfazendo assim o nosso desejo.

Como entradas vieram: Berbigão à Bolhão Pato, Ovas de bacalhau, Espetadas Línguas de bacalhau; quanto ao segundo prato, optámos por: Línguas de Bacalhau fritas com açorda, Lombinhos de Bacalhau e Feijoada de Sames.
Já nem devia falar das sobremesas que foram soberbas, saliento apenas o doce da casa e o queijo da serra.

O atendimento foi excelente, assim como foi a confeção dos pratos. Recomendamos este restaurante.

Como as horas vão passando rapidamente continuamos o nosso passeio por Estarreja, Ovar até Válega.

Ovar é uma cidade do Distrito de Aveiro. Nas enciclopédias encontramos o nome "Ovar", com dois significados: “verbo transitivo (pôr ovos, criar ovos ou ovas) e verbo transitivo brasileiro (fazer ovação, aplaudir, aclamar, vitoriar) por oposição ao verbo português ovacionar. A etimologia mais popular e citada é a que deriva do verbo "ovar", dado a multidão de aves que desovavam e criavam na região.”


Continuamos até Válega, freguesia localizada no extremo sul do concelho de Ovar, distrito de Aveiro. Visitamos a Igreja Paroquial de Válega, também conhecida por Igreja de Nossa Senhora do Amparo. É uma obra-prima da arte da pintura do azulejo e uma das igrejas de Portugal que mais me impressionou!
O patronato da igreja pertenceu a mãos privadas até ao ano de 1150. Desde essa data até 1288 foi o Mosteiro de São Pedro de Ferreira. De 1583 a 1833 foi propriedade do Bispo e da Sé Catedral do Porto. A Igreja da Válega encontra-se na sua localização atual desde meados do séc. XVIII.  São de destacar no interior da igreja: intervenções do séc. XX, como por exemplo os tetos em madeiras exóticas, patrocinados por la Família Lopes, assim como revestimentos exuberantes em azulejos, produzidos na Fábrica Aleluia de Aveiro; trabalhos em mármore nas paredes interiores da capela-mor, do coro baixo e dos lambris gerais.”
Ficamos maravilhados com esta igreja. Visualmente é um espetáculo por causa dos seus painéis de azulejos que cobrem as paredes interiores e exteriores. Merece ser visitada.

Era a hora de regressarmos.
O nosso passeio continuou pela mesma estrada donde viemos.
Agora o nosso objetivo era chegarmos à Costa Nova, mas sem antes passarmos novamente por Ovar, Estarreja, Aveiro.

Chegamos então à Costa Nova. Esta localidade fica numa península entre a Ria de Aveiro e o mar, onde podemos apreciar as casas com riscas coloridas, uma feliz imitação das originais construções típicas de madeira, utilizadas originalmente pelos pescadores da zona para guardar os materiais de pesca. Hoje, requalificadas foram aproveitadas como casas de férias no Verão. E assim nos deixamos conquistar pela simplicidade piscatória da Costa Nova, nos seus areais, na praia e na povoação. Aqui ainda se pode assistir à Arte Xávega, tal como nas praias vizinhas da Vagueira ou de Mira, representando uma arte antiga de pesca costeira artesanal em que as redes de pesca são puxadas do mar por parelhas de bois.
Estivemos no Mercado da Costa Nova, um excelente exemplo dos mercados tradicionais da Região, possuindo uma cozinha industrial, armazéns frigoríficos e de congelação para peixe e marisco, assim como uma área específica para venda de marisco cozido, lojas e um restaurante.
Não saímos desta localidade sem bebermos uns refrescantes “finos”.

A próxima paragem foi já na Figueira da Foz, mais precisamente em Buarcos.
Acabámos assim o nosso passeio, aconchegando as nossas barrigas com um reconfortante lanche-ajantarado na “Taberna do Teimoso”.


Tal como se diz no site da net: “Um lugar onde se vai sentir em casa, um ambiente acolhedor, bons petiscos e bom vinho!”
O espaço está bem decorado e o pessoal foi muito atencioso. Fomos pedindo os petiscos, partilhando os mesmos. E deu para beber um copo…
Foi um final de tarde muito agradável que se foi prolongando.

Um final de passeio de confraternização entre amigos, que seguramente iremos repetir.

Até à próxima “Mosketeiros”.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Passeio à Região Oeste

Sábado, 16 de Abril de 2016

ITINERÁRIO: Tavarede, Nazaré, Alcobaça, Caldas da Rainha e Óbidos.

Distância entre Figueira da Foz e Óbidos: 91,63 km - Distância em linha reta; 116 km - Distância de condução; 1 hora 21 min. - Tempo de condução estimado.

Eram 09H30 e os Mosqueteiros, saíram mais uma vez em exploração, desta vez à Região Oeste.
No Oeste, não há monotonia porque há um bocadinho de tudo: praia e natureza, locais cheios de histórias para aprender, bom peixe e mariscos, legumes fresquíssimos, fruta maravilhosa, pão que sabe mesmo a pão. A herança gastronómica do Oeste remonta à fundação do reino, e à sabedoria ancestral dos monges dos conventos e mosteiros da região, de onde se destacou a presença tutelar de Alcobaça, cuja tradição da doçaria conventual é ainda hoje uma referência. No campo, da arte de “prantar” o pão, do cultivo do vinho e da pesca, nasceram algumas das tradições gastronómicas mais emblemáticas do Oeste, onde o peixe e os mariscos são reis. A gastronomia da região é variada: dos ricos pratos da “matança do porco”, ao cabrito no forno e ao coelho guisado com arroz, passando pelas célebres caldeiradas e os suculentos e fresquíssimos pargos e robalos de Peniche e da Nazaré cozidos ou no forno, as enguias e amêijoas da Lagoa de Óbidos e os mariscos dos viveiros de Porto de Barcas, onde, de entre outras iguarias, a lagosta da Costa Atlântica, “suada”, é um manjar único. Influência da cultura conventual, as trouxas, as lampreias de ovos e as cavacas das Caldas da Rainha, os pastéis de feijão de Torres Vedras ou os pães de Ló do Landal, Painho e Alfeizerão complementam os sabores da doçaria conventual de Alcobaça, que é a “jóia da coroa” deste paraíso gastronómico, herdeira milenar do centro cultural que foi, e é, o Mosteiro. A “Pêra Rocha do Oeste” e a “Maçã de Alcobaça” são ex-libris da região que alcançaram já certificação e prestígio internacional.

Nossa primeira paragem foi em Alcobaça.
Fica situada na confluência dos rios Alcoa e Baça, pertencente ao distrito de Leiria, o concelho de Alcobaça conta com 18 freguesias, sendo o segundo concelho mais industrializado do distrito e um dos mais populosos.
Aqui fomos em primeiro lugar recuperar as forças num café, mesmo em frente ao Mosteiro.
Durante o percurso fomos invadidos por um som celestial. Alguém cantava com uma voz fabulosa, um aglomerado de pessoas, quase na totalidade estrangeiros, estavam maravilhados com um jovem que ali mostrava os seus dotes vocais fantásticos. Ali ficamos também a desfrutar aquele momento. Eram dois contratenores: Luís Peças & João Paulo Ferreira.
É de realçar que o tempo estava ótimo, não chovia e a temperatura era amena.

Visitamos o célebre Mosteiro cisterciense de Santa Maria fundado em 1148 por D. Afonso Henriques. Neste mosteiro, encontram-se os túmulos de D. Pedro e D. Inês de Castro. Reconstruído diversas vezes em vários estilos, desde o gótico (primeira obra plenamente gótica erguida em solo português) ao manuelino, este mosteiro é um dos mais belos monumentos do mundo, começado pelos monges de Cister.
Está classificado como Património da Humanidade pela UNESCO e como Monumento Nacional, desde 1910, IPPAR. Em 7 de Julho de 2007, foi eleito como uma das sete maravilhas de Portugal. Os túmulos de D. Pedro I e de D. Inês de Castro encontram-se no Mosteiro de Alcobaça. São duas verdadeiras obras-primas da escultura gótica em Portugal, cuja construção se situa entre 1358 e 1367 e de autoria desconhecida. Inês de Castro está representada com a expressão tranquila, rodeada por anjos e coroada de rainha. A mão direita toca na ponta do colar que lhe cai do peito e a mão esquerda, enluvada, segura a outra luva. D. Pedro I está representado também com a expressão tranquila, coroado e rodeado por anjos. Segura o punho da espada na mão direita, enquanto com a esquerda agarra a bainha.
O Castelo de Alcobaça, encontra-se situado num outeiro onde os visitantes têm uma vista soberba sobre toda a cidade e terras vizinhas. Será provavelmente do período visigótico. No século VIII foi conquistado pelos mouros. Tomou-o D. Afonso Henriques em 1148 também aos mouros, que o voltaram a conquistar e destruir, sendo mais tarde reconquistado e reconstruído por El-Rei D. Sancho I. Devido aos grandes terramotos de 1563 e 1755, sofreu grandes estragos começando a degradar-se. Não tendo mais utilidade como castelo, passou a ser prisão. No séc. XIX o município de Alcobaça vendeu as pedras das suas muralhas à população para construção de habitações e outras foram roubadas. Neste momento encontra-se em completa destruição, podendo mesmo dizer-se em ruínas.
Já tendo visitado algumas vezes Alcobaça, não sabia que nesta cidade existia um castelo. Mas ali estava ele bem visível defronte ao mosteiro, por cima dos telhados das casas. Que me perdoem os alcobacenses pela minha ignorância, mas até aquele dia… foi assim.

O almoço estava a chegar e os Mosqueteiros já davam sinais de fraqueza.

Nazaré, foi o destino. A vila, é o atual espaço que aglutina três antigos povoados, Pederneira, Sítio da Nazaré e Praia da Nazaré e novos bairros da segunda metade do século XX, como a Urbisol ou o Rio Novo, surgidos em consequência da expansão natural dos três núcleos primitivos. Podem-se compram uns amendoins ou tremoços às senhoras que ainda usam as tradicionais sete saias e apregoam constantemente os quartos que têm para alugar ou, para quem goste, um peixe seco em cima de umas redes na areia. Há muitos restaurantes com peixe fresquíssimo, mas a nossa opção foi o Restaurante Marisqueira “O Luís”, fica no sítio da Nazaré em frente à praça de touros, no caminho para o farol.
É um espaço agradável com uma grande variedade de peixe fresco, de boa qualidade. Nas entradas  constavam percebes, camarão, e búzios.
Para os grandes apreciadores das variadas delícias que nos dá o mar, há o aprimorado Barco de Marisco que vem para a mesa recheado com Lagosta, Camarão Grelhado, Amêijoa, Sapateira, Ostras, Percebes, Canilhas e Camarão Cozido.
Nós pedimos uns fantásticos robalos grelhados.

Após o almoço, fomos ver a vista, do Sítio da Nazaré, que é simplesmente fantástica. Passamos pela Ermida da Memória - junto ao Miradouro do Suberco, no local onde, em 1182 e segundo a lenda, N.ª Sra. da Nazaré salvou a vida a D. Fuas Roupinho, ergue-se esta pequena Ermida mandada construir, em ação de graças, pelo nobre cavaleiro. Todo o interior é revestido de painéis de azulejos dos séculos XVII e XVIII, tendo a abóboda, ao centro, o pelicano, divisa de D. João II. À entrada, de ambos os lados, lápides em mármore contam a lenda do milagre, segundo a versão do cronista Frei Bernardo de Brito.


Mas a nossa principal visita foi ao Forte de S. Miguel (Farol da Nazaré), que se ergue em posição dominante sobre a praia da Nazaré, afamado e tradicional ponto de pesca, santuário e balneário. Trata-se de um notável monumento militar maneirista, característico da defesa da costa. Possui um baluarte em cada ângulo, ameias e frestas, dispondo de uma original Praça de Armas no 2º piso.
Ali disfrutamos das vistas para a Praia do Norte, onde o “Canhão da Nazaré” que canaliza a ondulação do oceano Atlântico para ali, praticamente sem obstáculos, proporcionando a criação de ondas com um tamanho fora do normal em comparação com a restante costa portuguesa.

Mas dali também avistamos uma praia espetacular, um casario branco dos pescadores e enormes penhascos sobre um mar de um azul intenso.
Estava uma tarde cheia de sol e uma temperatura muito boa para a época.
Os Mosqueteiros estavam adorar o passeio.

Mas o nosso itinerário ainda não tinha chegado ao fim e Óbidos esperava-nos.

Óbidos, é uma vila do distrito de Leiria, que guarda séculos de história entre as suas muralhas. Com um vasto património de arquitetura religiosa e vestígios histórico-monumentais, a vila de reis e rainhas foi, noutros tempos, local de preferência para descanso ou refúgio das desavenças da Corte. D. João IV e D. Luísa Guerra, D. Pedro II e D. Maria I, D. Leonor, D. Catarina de Áustria e D. Carlos, foram alguns dos monarcas que passaram por estas terras deixando, de uma forma ou de outra, marcas que a vila ainda hoje mantém. A origem da vila de Óbidos remonta ao século I, à cidade de Eburobrittium.


Património: Castelo de Óbidos; Porta da Vila; Praça de Santa Maria; Igreja de Santa Maria; Igreja da Misericórdia; Igreja de São Pedro; Igreja de Nossa Senhora de Monserrate; Santuário do Senhor Jesus da Pedra; Capela de S. Martinho; Igreja de S. Tiago; Aqueduto; Ermida de Nossa Senhora do Carmo; Porta do Vale; Casa do Arco da Cadeia.

O XIV Festival Internacional de Chocolate, estava a decorrer desde 31 de Março a 25 de Abril de 2016. O Festival traz este ano uma edição com sabores refrescantes inspirados na pureza da água. Numa incursão sobre o território, a Lagoa de Óbidos toma vida em chocolate para surpreender os visitantes e alia-se às novidades no mundo onde o cacau é ingrediente obrigatório, trazendo a mais uma edição mil e uma formas de degustar, trabalhar e apresentar esta iguaria, regressando ainda às suas origens de fusão de cacau e água como bebida de eleição.

Nós deliciámo-nos com uns pãezinhos com chouriço e uns fininhos para acalmar a sede que se fazia sentir. Estava uma temperatura que até já fazia sede…


Para finalizar o nosso lanche nada melhor que umas ginginhas em copos de chocolate, a “cereja no topo do bolo”.
Mas não quero deixar de sinalizar a Capinha d'Óbidos, que é um bolo com mais de 130 anos que aconselho a provar, uma receita partilhada na família Capinha entre gerações, um bolo  que segundo a tradição seria o bolo das noivas uma recordação de casamento, agora serve também para ser provado por todos turistas e embaixadores. Amassado e cozido no forno a lenha com carinho e entusiasmo pela ultima representante da família Capinha mesmo à entrada da vila de Óbidos.
E foi assim com esta iguaria “debaixo do braço” que abandonámos esta vila medieval rodeada de muralhas preservadas, com os seus monumentos, ruas tortuosas e pequenas casas brancas com janelas e varandas cheias de flores.


O seu encanto manteve-se ao longo dos séculos: já em 1282, a vila foi um dos presentes do rei Dom Dinis à sua noiva espanhola, Isabel de Aragão.

Apesar da tarde ainda estar com muito sol, ainda tínhamos de percorrer uns bons quilómetros até a nossa casa.
Passamos então pelas Caldas da Rainha, uma cidade conhecida pela sua relação com a Rainha Dona Leonor e pelo fabrico de inúmeras peças cerâmicas. Também conhecida por “termas da Rainha”, foi procurada pela Rainha Dona Leonor, mulher de D. Manuel I, no séc. XV, que ao usufruir das competências terapêuticas das águas termais viu sarada uma ferida que há muito não cicatrizava, mesmo após os mais diversos tratamentos. As Caldas da Rainha possui um rico património que vale a pena conhecer.

Com muita pena nossa já não visitamos esta cidade. Fica para uma próxima viagem.
Eram 21H30, chegámos à nossa Vila de Tavarede.
Este foi um grande passeio, digo eu!
Mas tenho a certeza que os outros 5 Mosqueteiros também o dizem!

Até à próxima viagem!

quarta-feira, 16 de março de 2016

PASSEIO À LOUSÃ

No rasto da Chanfana
16 de Março de 2016

Itinerário: distância entre Figueira da Foz e Lousã
(52,35 km - distância em linha reta 92 km - distância de condução)

Saída de Tavarede às 10H00; Montemor-o-Velho; Coimbra.

Lousã
A vila da Lousã conserva o encanto próprio das coisas simples. Hospitaleira, o seu ar é puro, a sua gente acolhedora e a sua gastronomia um eterno pretexto para festejar. Situada no sopé da montanha, a vila possui um charme muito próprio, com uma quantidade surpreendente de antigas casas nobres a integrar o cenário de várias das suas ruas. O Castelo Medieval, as Piscinas Naturais e as Ermidas da Sra. da Piedade seriam só por si razão suficiente para visitar esta vila tão acolhedora. A Lousã possui uma quantidade surpreendente de palácios e solares, sobretudo atendendo à sua pequena dimensão. A vila prosperou particularmente durante o séc. XVIII, época em que muitas famílias nobres edificaram as suas moradias no sopé ensolarado da serra; construções de traço fino em estilo barroco ou neoclássico, caraterizadas pelas amplas fachadas, com belas cantarias e portais trabalhados, onde se destacam os brasões de família. Estas quintas com solares, revelam a forma de vida adotada pela fidalguia rural da época. Marcam presença nos arredores da vila e em particular no seu centro histórico. Destacam-se entre elas o palácio dos Salazares ou do Visconde de Espinhal, o solar dos Montenegro, o palácio dos condes de Foz de Arouce, o solar dos Quaresma ou a Quinta de Sta. Rita entre tantas outras. A Capela da Misericórdia, é o edifício mais antigo do núcleo histórico remontando à era quinhentista.

O almoço foi na Churrasqueira Borges, Lda., na Lousã, onde o principal prato foi o motivo do nosso passeio a estas paragens: CHANFANA.

Receita de Chanfana
Ingredientes: 2K. Carne de Cabra; 1dl Azeite; 50 gr. Banha; 1 Cebola; 2 D. Alho; 6 Carvinhos; 1 F. Louro; 1,5 L. Vinho tinto maduro; Q.B sal e pimenta.
Preparação: 1º Cortar 2 Kg carne de cabra em pedaços; Colocar em tacho de barro típico; Juntar azeite, banha e cebola cortada em 1/2 luas, alho, carvinhos, louro, sal e pimenta; Deitar vinho tinto até cobrir; Tapar o tacho; Levar ao forno bem quente; Juntar mais vinho se necessário; Deixar cozer 3 a 4 horas; Servir com batata cozida em rodelas.
Depois do almoço subimos à Serra da Lousã.
A Serra da Lousã é um local mágico onde podemos aproveitar duma vegetação exuberante e uma paisagem deslumbrante, rica em vida selvagem e povoada de regatos e fontes. Ali também podemos descobrir as encantadoras aldeias de xisto que se escondem no seu interior. De fato, tal como alguns textos locais afirmam, na serra o tempo perde o seu valor e apenas o espaço impera. Existem inúmeros percursos pedestres que percorrem a serra fazendo a ligação às diversas aldeias. Desfrutamos de paisagens abertas e majestosas, sentido a brisa que atravessava as ramagens de Carvalhos e Castanheiros. Descobrimos o murmúrio dos ribeiros que saltitavam entre as pedras e serpenteavam pelas encostas.

O Castelo que se situa a poucos quilómetros do centro da vila, com mais de 2000 anos de história, é um dos mais belos de Portugal. Localiza-se num vale que se diz encantado, num cenário digno de um romance de cavalaria. Tem uma configuração de aspeto bélico, que se pode vislumbrar por entre arvoredos e que trazem à memória os primórdios da nacionalidade. As suas origens estão envoltas em lendas.

Lenda do Castelo da Lousã ou da princesa Peralta
Reinava em Conímbriga o rei mouro Arunce, rodeado por opulenta corte, na companhia de sua filha a princesa Peralta. O rei mandou construir, como refúgio, na serra da Lousã, um castelo embrenhado na floresta. O príncipe cristão Lausus invade Conímbriga e o Rei Arunce é obrigado a fugir para o castelo da Lousã, levando consigo a sua filha Peralta e todas as suas riquezas. No momento da retirada, a Princesa Peralta e o Príncipe Lausus entreolham-se por breves instantes e enamoram-se. Lausus procura desesperadamente a sua amada, percorrendo as serranias da região. O velho rei Arunce, sabendo das intenções do príncipe Lausus, parte ao seu encontro, deixando a princesa Peralta e as riquezas fechadas no Castelo da Lousã. Travam violento combate e acabam ambos por sucumbir. Não havendo ninguém conhecedor do refúgio da Princesa, esta fica aprisionada no castelo. Ainda hoje se ouve o soluçar apaixonado da jovem Peralta, aguardando pelo seu Príncipe.

Visitamos duas das Aldeias do Xisto, um conjunto constituído por pequenas aldeias onde predomina o xisto ou o quartzito: Aigra Nova - Aigra Velha - Candal - Casal de São Simão - Casal Novo - Cerdeira - Chiqueiro - Comareira - Ferraria de São João - Gondramaz - Pena – Talasnal.








A primeira visita foi à aldeia de Candal e que segundo a transcrição de alguns textos turísticos, “é um reconfortante porto de abrigo para quem sobe ou desce a serra. Na bacia hidrográfica da Ribeira de S. João encaixa, entre outros, este anfiteatro onde se alojou o Candal e a sua ribeira. Está aninhada na Serra da Lousã, numa colina voltada a Sul. Estrategicamente colocada junto à Estrada Nacional, que liga Lousã a Castanheira de Pera, esta aldeia está habituada a receber visitantes. Estes são recompensados por subir as suas ruas inclinadas pois, chegados ao miradouro, uma belíssima vista sobre o vale se apresenta, refrescada pela Ribeira do Candal. E quando voltam a descer, a Loja Aldeias do Xisto aguarda-os. Beneficiado pela acessibilidade privilegiada que lhe proporciona a Estrada Nacional, Candal é muitas vezes considerada a mais desenvolvida das aldeias serranas e uma das mais visitadas. Aos seus habitantes de sempre é comum juntarem-se ocupantes de férias e fins-de-semana que aqui acorrem em busca de ar puro e boa companhia.”





 
A segunda aldeia que visitamos foi a de Cerdeira, também transcrevo um texto turístico que a descreve na perfeição: “percorrer a aldeia é um exercício físico e sensorial. A cada passo há um recanto, um beco, um elemento que não se sabe se ali foi colocado pelo Homem ou pela Natureza. Não há dissonâncias. Há o som da tranquilidade. Ao entrarmos na Cerdeira, descendo até ao pequeno regato, deparamos com o perfil desalinhado das construções. O tom dominante do xisto sobrepõe-se ao verde das encostas, ao azul do céu ou ao branco das nuvens. Os habitantes desta e de outras aldeias deverão ter frequentado a universidade da serra. Os edifícios foram implantados sobre um morro rochoso, não ocupando as escassas áreas mais planas que dedicaram à agricultura. Uma obra de engenharia rodeou a aldeia com uma escadaria de socalcos que seguram a terra que as chuvas e a erosão levavam encosta abaixo. A implantação e a arquitetura das construções parece que obedeceu a um plano que teve como objetivo maravilhar os visitantes no séc. XXI. A Cerdeira é um local mágico. Logo à entrada, uma pequena ponte convida-nos a conhecer um punhado de casas que espreitam por entre a folhagem. Parece que atravessamos um portal para um mundo fantástico. Tudo parece perfeito neste cenário profundamente romântico. O chão de ardósia guia-nos por um caminho até uma fonte no meio de uma frondosa vegetação. Entre encostas declivosas rasgadas por linhas de água que se precipitam lá do cimo, a Cerdeira aninha-se, na mais bucólica envolvente. Esta é uma aldeia que a arte e a criatividade ajudaram a refundar. Aliás, em certos momentos do ano, esta aldeia é animada por encontros temáticos que juntam arte e botânica.
E assim passamos juntos um dia de convívio, desfrutando também de sítios cheios de romantismo e de paisagens deslumbrantes desta Serra da Lousã.