domingo, 17 de janeiro de 2010

SOCIEDADE DE INSTRUÇÃO TAVAREDENSE

JOGOS FLORAIS

Os Jogos Florais organizados pela Direcção da Sociedade de Instrução Tavaredense, na comemoração do seu 106º aniversário tiveram a participação dos sócios e amigos da Colectividade. Os textos a concurso tinham de se subordinar ao tema: “Caminhos do Teatro”.
Não tendo a pretensão e o formalismo de ser um concurso com uma carga competitiva, é porém uma tarefa que desempenho com muito empenho, alegria e alguma emoção.
A cerimónia de entrega dos prémios, teve lugar na Sessão Solene, do Aniversário da SIT, realizada no dia 17 de Janeiro de 2010.
Foi também com grande emoção e satisfação que recebi uma menção honrosa, pela minha produção literária, na modalidade de Poesia, no Escalão B, cujo título "Venho por aqui...".
Seguidamente à leitura do meu trabalho poético, foi-me entregue um troféu e certificado de participação.
A Presidente cessante da Direcção, Maria Clementina Reis Jorge da Silva no discurso final, salientou o significado desta iniciativa como forma de premiar a originalidade e a imaginação dos concorrentes, felicitando todos os participantes.

Em seguida transcrevo a minha poesia premiada para que conste aqui neste meu sítio e a possa assim partilhar com os meus amigos visitantes.

Venho por aqui…



Há caminhos que sigo,
Os do sonho da vida e do amor.
E o sonho fascina-me e prossigo…
São os caminhos onde dou cor
Com tintas de destino.
E tudo aquilo que imagino
É encontrar o meu caminho...

Venho por aqui…
Consigo ver nos teus olhos, cada cor do sentir,
Cada reflexo da tua máscara,
Cada sentido que pões em cena,
Somente contigo…
Vem comigo, basta persistir e seguir…
Eu sigo... Vem comigo…

Venho por aqui…
Vou sem destino, sem saber onde chegar.
Mas não me deixes sozinho, a esperar…
Bailamos no sonho assim como uma criança!
Mas o coração grita: – É mentira!
As interrogações que me perseguem,
Quantas delas são máscaras?

Venho por aqui…
Quem de nós tem a coragem
De aceitar a sua imagem?
Se eu ficar aqui só mais um pouco não dramatizo,

Não quero perder tempo a mentir.
As máscaras que ponho estão já sem cor...
E fico tentado a uma longa viagem…

Venho por aqui…
Não me reveles teus sentimentos.
Sei que preciso viver a intensidade de cada desejo.
Era eu uma criança há quantos anos?
Hoje, removo a máscara de mim,
Que querem que eu faça?
Vejo um rosto que não é meu, uma imagem sem graça…

Venho por aqui…
À noite a minha máscara é a do dia
E as estrelas no céu
Não significam nada para mim.
Pertenço a um teatro de máscaras e o meu palco é a roda do tempo.
Mas eu não lamento
Que a máscara possa ser eu!

Venho por aqui…
O tempo está a chegar ao fim e sou o actor principal.
Para ti, sou a máscara simples,
Para mim, a máscara da vida,
A da criança renascida,
Sem fascinação, feitiço e magia.
Aquela que um dia…

Talvez?...
Venha por aqui…




JOMACO

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

ANO NOVO - 2010

2009 - Ano Novo em Lisboa - 2010

Há já alguns anos que tinha pensado com a minha esposa fazer uma passagem de Ano em Lisboa. Foi este ano o escolhido para celebrar e receber o ano 2010. Então decidi descobrir através da net o que haveria de diversão, na hora em que os fogos de artifício explodem nos céus. A minha pesquisa incidiu nas zonas com características peculiares que atraem milhares de pessoas, como a Baixa Pombalina, Rossio, Chiado, Bairro Alto, Belém e Parque das Nações.
- A Baixa Pombalina, é no coração de Lisboa. Localiza-se sobre as ruínas que foram destruídas por um terramoto (1755). Trata-se de uma zona muito quadriculada e linear, foi uma zona estudada e idealizada por Marques de Pombal. A zona da baixa, é a zona comercial e de ócio por excelência em Lisboa, tem teatros, cinemas, restaurantes, monumentos, é uma área onde se encontram numerosas diversões. Nesta quadra festiva, os passeios nocturnos pela baixa são uma constante oferta aos habitantes de Lisboa e turistas. Um mundo mágico de iluminação, fantasia e sonho com as iluminações natalícias e alguma animação, que vão desde o Chiado até ao Rossio.
- Quanto ao Rossio, a Praça de D. Pedro IV, delimita a norte a área da Baixa Pombalina e é, desde há seis séculos, o coração de Lisboa. Renascida dos escombros deixados pelo terramoto de 1755 que assolou o País, a Praça do Rossio, com os seus cosmopolitas edifícios pombalinos, espaço soalheiro e acolhedor, que se enche de forasteiros ao longo de todo o ano. No centro da Praça ergue-se numa coluna de 28m de altura, a estátua de D. Pedro IV, o primeiro imperador do Brasil independente, aqui colocada em 1870. Na sua base existem quatro figuras femininas, alegorias à Justiça, à Sabedoria, à Força e à Moderação, qualidades atribuídas a D. Pedro. Esta coluna encontra-se iluminada com um adereço natalício de luz. No lado norte da praça fica o Teatro Nacional D. Maria II, que recebeu o nome da filha de D. Pedro, D. Maria II, cuja fachada está decorada com uma monumental cascata de luz. Muitas tradições ainda se mantêm nesta praça e uma delas é a paragem no Café Nicola ou na Pastelaria Suíça, que continuam a ser o dia-a-dia típico do bom lisboeta e também dos turistas. Todo o espaço envolvente se encontr a iluminado com decorações luminosas de Natal.
- No Chiado, que é um dos locais mais prestigiados de Lisboa e que fica situado entre o Bairro Alto e a Baixa de Lisboa, aqui se podem encontrar as mais diversas lojas de designers, ateliers, galerias de arte, museus, restaurantes, cafés típicos e modernos, livrarias, teatros e muitas manifestações artísticas e culturais. A estátua Luís de Camões, no largo com o seu nome, a Rua Garrett, os famosos cafés (entre eles o célebre “A Brasileira”, cuja esplanada ostenta a figura do poeta Fernando Pessoa sentado num dos seus locais preferidos da cidade). Até 6 de Janeiro, há Natal no Chiado e a decoração natalícia está em destaque e é baseada num conceito que cruza as formas fractais dos crochés com as das estrelas e flocos de neve.
- Outra sugestão é no Bairro Alto, famoso pela sua animada vida nocturna todo o ano e que se transforma para esta festa ao ar livre na noite de 31 de Dezembro.
- Também este ano a Câmara Municipal de Lisboa preparou um grande evento de fim de ano, com um concerto junto à Torre de Belém, que inicialmente era animado pelos XUTOS & PONTAPÉS. Lamentavelmente a organização informou que devido a doença súbita que acometeu o guitarrista dos Xutos & Pontapés, Zé Pedro, o concerto da banda, tinha sido cancelado tendo entretanto o município da capital conseguido assegurar, em alternativa, a presença dos GNR. Acabou a noite em grande com um grandioso espectáculo de pirotecnia, nas margens do Tejo!
- O Parque das Nações com a sua Torre Vasco da Gama, voltou a ser uma das grandes referências para esta passagem de ano, com a realização de um espectáculo de Fogo de Artifício. O enquadramento da Torre Vasco da Gama e do “Mar da Palha” fez com que a zona norte do Parque das Nações se transformasse por completo.
Esta minha estadia em Lisboa não pode ficar completa se não falasse sobre a mega-Árvore de Natal ZON, que iluminava a cidade do alto do Parque Eduardo VII. Tal como no ano passado, a magia da época natalícia pode contar com a estrutura, montada no topo do Parque Eduardo VII, que rejubilava de alegria com cores especialmente escolhidas para a quadra.
É sabido que estes eventos foram afectados de diversas maneiras pelo mau tempo (chuva, vento e frio) que se fez sentir naqueles últimos dias do ano de 2009. Nós próprios presenciámos algumas dessas alterações.
O Centro Comercial Colombo é um centro comercial e de lazer localizado na freguesia de Carnide, em Lisboa. O Colombo teve, como habitualmente, também uma árvore de Natal, uma das maiores estruturas natalícias de interiores que conheço. Na Praça Central do Centro Colombo, onde estava a árvore, erguia-se um espaço mágico que neste Natal recebeu as crianças e os pais num ambiente divertido e repleto de brincadeira, mas que transmitia uma mensagem muito importante de harmonia e paz entre os povos de todo o Mundo. Para a celebração deste Natal, as marcas Oliveira da Serra e Fula e o Centro Colombo desafiaram todos os portugueses e não só, que se deslocaram até ali, para a construção de uma Grande Aldeia da Paz, espaço que proporcionou momentos didácticos, numa iniciativa que visava o apoio ao Instituto de Apoio à Criança (IAC).
Nunca gostei do Inverno. Para mim são muito insuportáveis os dias pequenos, escuros e frios. Principalmente o frio. Mas já regressei ao lar. Estou agora a escrever estas linhas no conforto da minha casa. O quente me conforta. Continuo a ouvir, lá fora, a chuva e o vento. E o frio que não sinto, mas pressinto… Tenho a TV ligada para ir tomando contacto com a situação meteorológica, dos acidentes, do país… e evidentemente que não me posso esquecer daquelas pessoas cuja situação de pobreza os levou ao limite da privação de direitos básicos e bens de necessidade primária para uma vida humana. Os excluídos, os “sem abrigo”.
A inclusão social destas pessoas é urgente. Não pode ser só apenas quando é Natal e acontece o Fim de Ano, que as entidades oficiais e a comunicação social se lembra de dar grandes destaques às ceias, bens essenciais como roupa e sapatos, ao fugaz conforto de um local aquecido, ao carinho de muita gente voluntária!
Claro que há muita gente que faz voluntariado durante todo o ano! É de louvar! Mas não chega, é insuficiente e será sempre insuficiente.
Quem vive nas grandes cidades habitua-se a “tropeçar” nos “sem abrigo”. Um problema social degradante e triste. Gente que espera (?) com um olhar vazio: idosos, jovens, pessoas “sem idade”, imigrantes…
Aconteceu assim também a nós “tropeçarmos” com esta situação, nesta estadia em Lisboa. Infelizmente era difícil, ou melhor, impossível não acontecer…
Há quem espere que o Ano Novo traga mais esperança na melhoria das condições de vida dos portugueses, com o abrandamento da crise económica, com a diminuição do desemprego e com uma justiça social realmente igual para todos. Façamos votos que em 2010, os corruptos sejam na realidade descobertos e castigados, o governo seja mais democrático e socialista, que a mentira não seja utilizada também para governar.
Acabo este meu primeiro texto do Ano de 2010, transcrevendo pequenos enxertos, os quais achei muito pertinentes, retirados da mensagem de Ano Novo, do Presidente da República:
"Na lógica do nosso sistema constitucional, não compete ao Presidente da República intervir naquilo que é o domínio exclusivo do Governo ou naquilo que é a actividade própria da oposição, Portugal dispõe de um Governo com todas as condições de legitimidade para governar, um Governo assente numa maioria relativa conquistada em eleições ainda há pouco realizadas"; "novo quadro parlamentar, aliado à grave situação económica e social que o País vive, exige especial capacidade para promover entendimentos"; "Os portugueses compreenderiam mal que os diversos líderes políticos não se concentrassem na resolução dos problemas das pessoas e que não empenhassem o máximo do seu esforço na realização de entendimentos interpartidários"; "absolutamente desejável que os partidos políticos desenvolvessem uma negociação séria e chegassem a um entendimento sobre um plano credível para o médio prazo, de modo a colocar o défice do sector público e a dívida pública numa trajectória de sustentabilidade"; "O Orçamento do Estado para 2010 é o momento adequado para essa concertação política, que, com sentido de responsabilidade de todas as partes, sirva o interesse nacional"; "tempos difíceis"; "ainda de maior exigência e responsabilidade para os detentores de cargos públicos"; "o reforço da competitividade externa das nossas empresas e o aumento da produção de bens e serviços que concorrem com a produção estrangeira"; "o apoio social aos mais vulneráveis e desprotegidos e às vítimas da crise".
Na noite de Ano Novo tudo acontece como em todas as noites do ano.
Não existe nenhuma paragem na marcha do Tempo.
Mas temos sempre a esperança de que a partir dessa altura tudo seja diferente, para melhor.
Este ano nós queremos desejar a todos uma dose dupla de saúde e alegria, com muita boa sorte na realização de todas as coisas que são desejadas. E que o ano nos traga muita força e coragem.

Um mágico 2010 para todos nós!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A VIDA É UMA...

A VIDA É UMA…

“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.”
Charles Chaplin


A Vida é uma…
Aprendizagem sempre presente
Que fica entre o sonho e a recordação.
Mas qual será o sentido da vida?
Há porém uma diferença constante,
É poder manter a cabeça erguida
Sem deixar de olhar para o chão.

A Vida é uma…
Encenação onde a cada pessoa

É possível sonhar e fazer planos…
São oportunidades perdidas
Por timidez ou por orgulho à toa,
Próprio dos humanos.
São desafios e imagens assumidas…


A Vida é uma…
Viagem no espaço e no tempo…
É uma fuga à realidade de cada dia,
Com embarques e desembarques
Nas estações do pensamento.
A própria vida é sabedoria,
É um espaço para retoques…

A Vida é uma…
Passagem doce e quente
Onde se vê nascer os filhos,
Vê, nascer e crescer os netos.
Mas um dia estarei ausente.
Estarei a percorrer outros trilhos
Suaves de mistérios secretos…

A Vida é uma…
Oportunidade onde vou usar
Todos os meus brinquedos de criança,
Que traduzam amizade, amor e emoção.
Vou arranjar um amigo para me aconselhar!
Ter duas vidas, em uma, é uma esperança!
E desfrutar a vida é uma boa razão…

A Vida é uma…
Busca para uma nova descoberta.
O mundo é o riso de crianças
Colorindo as horas com aguarelas...
O corpo é uma caixa que me aperta
E me aprisiona as lembranças.
Os sonhos de infância são janelas…

A Vida é uma…
Aventura, é uma imagem no espelho,
É um relógio que não pode parar,
É um tempo que brota num repente
E num instante, sem saber, fico velho…
Para tudo há uma razão, basta confiar!
Mas aquele último passo não se sente…

A Vida é uma…
Promessa de lembranças que enfrentamos,
Sensações da juventude resgatada,
Um caminho trilhado com saudade.
Desejos sinceros que suportamos
Num seio de inocência aconchegada…
Sentimentos que terminam numa verdade.

A Vida é uma…
Esperança que nasce todos os dias!
E há sempre o desejo de ser criança!
E uma saudade ao entardecer.
Descubro assim as minhas poesias…
Quero mudar o Tempo que traz esperança

E de novo eu quero viver!

A Vida é uma…
A Vida é (só) uma…
A Vida podia ser Diferente?
Poder, podia,
Mas não era a mesma coisa!


A Vida é uma…
Só uma!
E num instante,
Num instante,
Os fogos de artifício rebentam!
O Ano Novo aí está!
O Ano Velho ficou não sei onde.
E num instante,
Tilintam as taças de champagne.
E o vinho borbulhando
Anuncia que outro Ano Novo chegou.
E num instante,
Os homens esquecem o passado,
Fazem promessas para o futuro.
(Têm esperança para um futuro melhor)…
A vida é só uma
E como é bom vive-la!
Feliz Ano Novo!


Nota: As fotos foram retirados da net.

SOCIEDADE DE INSTRUÇÃO TAVAREDENSE

Sociedade de Instrução Tavaredense
Fundada em 15 de Janeiro de 1904

Integrada no Programa Comemorativo do 106º Aniversário, o Grupo Cénico da SIT, estreia a peça O Inspector-Geral de Nicolau Gogol, no dia 16 de Janeiro de 2010, com a adaptação de Fernando Romeiro.

Personagens e intérpretes

Anton Antonovitch – governador …………………………… Fernando Romeiro
Ana Andreievna, sua mulher ………………………………… Helena Rodrigues
Maria Antonovna, sua filha …………………………………… Raquel Rodrigues
Inspector escolar …………………………………………………… Valdemar Cruz
A mulher do Inspector Escolar ……………………………………. Carla Godinho
Juiz ……………………………………………………………………… José Medina
Comissário dos Institutos de Caridade …………………..…….. António Barbosa
Chefe dos correios …………………………………………… João Miguel Amorim
Dobchinski, proprietário ……………………………………. José Manuel Cordeiro
Bobchinski, proprietário …………………………………………….. Rogério Neves
Ivan Klestakov …………………………………………………. José Miguel Pereira
Ossip, seu criado …………………………………………… José Alberto Cardoso
Médico do distrito ……………………………………………… João Pedro Amorim
Chefe da polícia ………………………………………………….. Jorge Rodrigues
Agente da polícia …………………………………………………….. Miguel Feteira
Comerciante ……………………………………………………….. Manuel Lontro
Mulher de um serralheiro ………………………………………….. Manuela Mendes
A viúva do sargento ……………………………………... Maria da Conceição Mota
Criada do governador ………………………………………………… Inês Fonseca
Um criado da estalagem ………………………………………. Jorge Filipe Oliveira

Encenação …………………………..…… Fernando Romeiro
Contra-regra ……………………….……. João Pedro Amorim
Ponto …………………………………….. Otília Cordeiro
Luz e Som ……………………………….. Nuno Pinto
Cenografia ………………………………. José Manuel Cordeiro
Costureira / Guarda-Roupa …………… Sílvia Pedrosa
Montagem ………………………………… José Alberto Cardoso
O Inspector-Geral
O governador de uma cidade do interior da Rússia czarista recebe a notícia de que um inspector do governo está prestes a chegar. Um funcionário vindo de São Petersburgo, que entretanto tinha chegado a uma estalagem da cidade, é confundido com o inspector. Esta confusão vai originar toda a acção que o espectador vai ver representada diante de si.
Estamos perante uma reflexão divertida sobre os comportamentos humanos no contexto de uma determinada sociedade, tendo como pano de fundo o exercício do Poder e da Corrupção, temas tão actuais agora, como o eram no século XIX e como o foram sempre.

domingo, 13 de dezembro de 2009

PODIA SER NATAL TODOS OS DIAS!

O Natal é uma época tradicionalmente festiva.
Estamos em plena época natalícia. É uma época mágica onde as pessoas são contagiadas com um pouco de tudo.As ruas iluminadas em muitas localidades fazem com que as pessoas se sintam envoltas no espírito de Natal. E as lojas das grandes superfícies e até as mais modestas de bairro e quiosques, estão cheias de tudo o que se possa imaginar. As condições para a grande festa do consumo estão preparadas. É difícil ficar indiferente aos apelos comerciais, que nos convidam e incentivam à compra. Os anúncios e as publicidades têm neste tempo o condão de fazer esquecer as desigualdades que acontecem em todos os lugares do mundo e a todo o momento.
As casas estão decoradas cada uma à sua maneira, consoante o gosto de cada um. Na minha casa desde sempre os meus pais me habituaram a fazer um presépio e montar uma árvore de Natal. Após o nascimento da nossa filha, eu e a minha mulher continuamos com esta tradição. Mesmo agora que ela já não vive connosco este costume mantém-se. Agora com um presépio mais simples, constituído apenas pela Sagrada Família.
As decorações e as luzes coloridas são os motivos que mais me animam e incentivam.
As compras prioritárias são as prendas, que preparo (embrulho e decoro) e guardo, umas para a noite e outras para o dia de Natal. É claro que este ano o nosso cuidado foi todo para a escolha de prendas para o nosso netinho Tiago, que irá passar o seu primeiro Natal entre nós.
E como o Natal é o nascimento de Jesus, este ano a comemoração tem outro sabor pela presença do nosso netinho.
E a nossa atitude inspira-nos à confraternização, ao desejo de felicidade e aos votos de alegria.
É urgente que o espírito do Natal contagie o ano inteiro!
Porque as pessoas só se lembram do Natal apenas na época do Natal, esquecendo-se que as desigualdades entre as pessoas duram todo o ano.
E este tempo é um óptimo momento para reflexão sobre meio ambiente.
O consumo está na ordem do dia: as comidas e as bebidas, os enfeites de Natal, as roupas novas e principalmente as que estão na moda (com as cores da moda), as decorações para a casa, as árvores de Natal enfeitadas (felizmente artificiais), os presentes (toneladas de presentes), e… Este consumismo obriga a gastos exorbitantes de papel para os embrulhos dos presentes, a rolos e bobinas de fitas decorativas sem controlo e a uma infinidade exasperante de sacos de todas as tipologias e formas.Hoje este mundo já sofre com as doenças, os malefícios do consumismo, das compras descontroladas, da não sustentabilidade de todo um processo que é também capaz de produzir a alta tecnologia, a riqueza (?), o emprego (?), os alimentos (não suficientes), a qualidade de vida (infelizmente não é para todos) e todos os benefícios de que hoje podemos dispor (mas não toda a gente).
Os recursos naturais estão-se a esgotar, principalmente as matérias-primas e a energia. O colapso ambiental está aí, a “bater-nos à porta”. Todos os dias as notícias nos fazem pensar (preocupar) cada vez mais, quando nos bombardeiam com as mudanças climáticas que ocorrem no nosso Planeta.
É preciso avaliarmos os nossos hábitos de consumo e valorizarmos mais a nossa vida e a de todos nós. O aumento desenfreado do consumo incentiva o desperdício e a grande quantidade de lixo.
A CARTA DA TERRA, diz que chegou o momento de mudarmos e para tal devemos:
“Fazer para conservar o mundo:
- respeitar a natureza e cumprir os direitos humanos,
- providenciar para que todos tenham o que necessitam para viver,
- viver sempre em paz.
Ajudar a conservarmos e melhorarmos o mundo em que vivemos.”


E sem querer estragar a festa do Natal, desejo que possamos adoptar hábitos mais sustentáveis de consumo, desistindo do que é inútil e dispensável, dando mais destaque à verdadeira mensagem do Natal, que é aquela que desvaloriza o valor das prendas e valoriza a pessoa humana.Não quero acabar sem deixar um pensamento de Dalai-Lama, que vem muito a propósito e dá para pensar e muito:
“Estamos todos aqui neste planeta, por assim dizer, como turistas... O mais importante de tudo é ser uma pessoa boa”.

Apesar de tudo o que escrevi, desejo, sinceramente, a todos um Natal Feliz e um próspero Ano Novo para todos e para todo o nosso PLANETA!Nota: As fotos e desenhos foram retirados da net.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

QUEM FAZ ANOS?

Ary dos Santos

José Carlos Ary dos Santos era filho do médico Carlos Ary dos Santos e de Maria Bárbara de Miranda e Castro Pereira da Silva. Nasceu na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, a 07 de Dezembro de 1936 e faleceu a 18 de Janeiro de 1984 na mesma cidade. Ficou conhecido no meio social e literário por Ary dos Santos.
Frequentou o Colégio de São João de Brito, em Lisboa, tendo-se encontrado entre os alunos do seu curso fundador.
A sua obra literária inicia-se no mesmo ano em que a sua mãe morre, aos 14 anos, quando vê publicados, através de familiares, alguns dos seus poemas, considerados maus pelo autor. No entanto, Ary dos Santos revelaria verdadeiramente as suas qualidades poéticas em 1954, com dezasseis anos de idade. É nessa altura que vê os seus poemas serem seleccionados para a Antologia do Prémio Almeida Garrett.
É então que Ary dos Santos abandona a casa da família, exercendo as mais variadas actividades para seu sustento económico, que passariam desde a venda de máquinas para pastilhas até à publicidade. Contudo, paralelamente, o poeta não cessa jamais de escrever e em 1963 dar-se-ia a sua estreia efectiva com a publicação do livro de poemas A Liturgia do Sangue (1963).
Em 1969 inicia-se na actividade política ao filiar-se no PCP, participando de forma activa nas sessões de poesia do então intitulado "canto livre perseguio".
Entretanto, concorre, sob pseudónimo como exigia o regulamento, ao Festival RTP da Canção com os poemas Desfolhada Portuguesa (1969), Menina do Alto da Serra (1971) e Tourada (1973), obtendo os primeiros prémios. É aliás através deste campo – o da música - que o poeta se torna conhecido entre o grande público.
Autor de mais de seiscentos poemas para canções, Ary dos Santos fez no meio muitos amigos. Gravou, ele próprio, textos ou poemas de e com muitos outros autores e intérpretes e ainda um duplo álbum contendo O Sermão de Santo António aos Peixes do Padre António Vieira.
À data da sua morte tinha em preparação um livro de poemas intitulado As Palavras das Cantigas, onde era seu propósito reunir os melhores poemas dos últimos quinze anos (publicado postumamente), e um outro intitulado Estrada da Luz - Rua da Saudade, que pretendia fosse uma autobiografia romanceada.
O poeta morre a 18 de Janeiro de 1984. O seu nome foi dado a um largo do Bairro de Alfama, descerrando-se uma lápide evocativa na casa da Rua da Saudade, onde viveu praticamente toda a sua vida.
Ainda em 1984, foi lançada a obra VIII Sonetos de Ary dos Santos, com um estudo sobre o autor de Manuel Gusmão e planeamento gráfico de Rogério Ribeiro, no decorrer de uma sessão na Sociedade Portuguesa de Autores, da qual o autor era membro.
Em 1988, Fernando Tordo editou o disco "O Menino Ary dos Santos" com os poemas escritos por Ary dos Santos na sua infância.
Bibliografia
1953 - Asas
1963 - A Liturgia do Sangue
1964 - Tempo da Lenda das Amendoeiras
1965 - Adereços, Endereços
1968 - Insofrimento In Sofrimento
1970 - Fotos-grafias
1970 - Ary por Si Próprio
1973 - Resumo
1974 - Poesia Política
1975 - Lllanto para Alfonso Sastre y Todos
1975 - As Portas que Abril Abriu
1977 - Bandeira Comunista
1979 - Ary por Ary
1979 - O Sangue das Palavras
1980 - Ary 80
1983 - Vinte Anos de Poesia
1984 - As Palavras das Cantigas
1984 - Estrada da Luz
1984 - Rua da Saudade

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Não posso deixar de aqui deixar algumas, de entre muitas, poesias que me marcaram desde sempre.

Os putos
Uma bola de pano, num charco
Um sorriso traquina, um chuto
Na ladeira a correr, um arco
O céu no olhar, dum puto.

Uma fisga que atira a esperança
Um pardal de calções, astuto
E a força de ser criança
Contra a força dum chui, que é bruto.

Parecem bandos de pardais à solta
Os putos, os putos
São como índios, capitães da malta
Os putos, os putos
Mas quando a tarde cai
Vai-se a revolta
Sentam-se ao colo do pai
É a ternura que volta
E ouvem-no a falar do homem novo
São os putos deste povo
A aprenderem a ser homens.

As caricas brilhando na mão
A vontade que salta ao eixo
Um puto que diz que não
Se a porrada vier não deixo

Um berlinde abafado na escola
Um pião na algibeira sem cor
Um puto que pede esmola
Porque a fome lhe abafa a dor.

A cidade é um chão de palavras pisadas
A cidade é um chão de palavras pisadas
a palavra criança a palavra segredo.
A cidade é um céu de palavras paradas
a palavra distância e a palavra medo.

A cidade é um saco um pulmão que respira
pela palavra água pela palavra brisa
A cidade é um poro um corpo que transpira
pela palavra sangue pela palavra ira.

A cidade tem praças de palavras abertas
como estátuas mandadas apear.
A cidade tem ruas de palavras desertas
como jardins mandados arrancar.

A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.
A palavra silêncio é uma rosa chá.
Não há céu de palavras que a cidade não cubra
não há rua de sons que a palavra não corra
à procura da sombra de uma luz que não há.

Poeta Castrado, Não!
Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala
--- é tão vulgar que nos cansa ---
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
--- a morte é branda e letal ---
mas que dizer da memória
de uma bomba de napal?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
--- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
--- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Meu amor, meu amor
Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.

Meu limão de amargura meu punhal a escrever
nós parámos o tempo não sabemos morrer
e nascemos nascemos
do nosso entristecer.

Meu amor meu amor
meu nó e sofrimento
minha mó de ternura
minha nau de tormento

este mar não tem cura este céu não tem ar
nós parámos o vento não sabemos nadar
e morremos morremos
devagar devagar.

Cavalo à solta
Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.

Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

COMO CONSERTAR O MUNDO?

Como posso ajudar para que este mundo seja melhor?Desperto muitas vezes com esta pergunta a bailar na minha cabeça!
Esta é uma pergunta que me ocorre muitas vezes e que também me incomoda…
Incomoda-me porque não sei ao certo o que posso fazer sózinho!
Tenho a certeza também que nada posso fazer sozinho. Ninguém pode fazer algo sózinho. Todos são poucos para fazer algo.
Mas nem de propósito, circula na Internet, sem identificação de autor, a seguinte fábula, que não resisti em transcrever.
Talvez com este texto eu possa dar um pequenino contributo para um despertar de consciências e de ideias.
Deixar de haver tantas desculpas para que este assunto seja sempre adiado, por quem tem responsabilidades nos destinos do mundo… e por nós todos…

No entanto tenho uma certeza:
“Antes de querermos arrumar o mundo, teremos que começar a arrumar primeiro o nosso próprio quarto.”

Mas aqui deixo o tal texto que circula na Net e que é de pensar!

Com consertar o mundo?
Um cientista vivia preocupado com os problemas do mundo e estava resolvido a encontrar meios de minorá-los. Passava dias em seu laboratório em busca de respostas para suas dúvidas.

Certo dia, seu filho de sete anos invadiu o seu santuário decidido a ajudá-lo a trabalhar. O cientista, nervoso pela interrupção, tentou que o filho fosse brincar em outro lugar. Vendo que seria impossível removê-lo, o pai procurou algo que pudesse ser oferecido ao filho com o objetivo de distrair sua atenção. De repente deparou-se com o mapa do mundo, o que procurava!

Com o auxílio de uma tesoura, recortou o mapa em vários pedaços e, junto com um rolo de fita adesiva, entregou-o ao filho dizendo:
- Você gosta de quebra-cabeças? Então vou lhe dar o mundo para consertar. Aqui está o mundo todo quebrado. Veja se consegue consertá-lo bem direitinho! Faça tudo sozinho.
Calculou que a criança levaria dias para recompor o mapa. Algumas horas, depois, ouviu a voz do filho que o chamava calmamente:
- Pai, pai, já fiz tudo. Consegui terminar tudinho!

A princípio o pai não deu crédito as palavras do filho. Seria impossível na sua idade ter conseguido recompor um mapa que jamais havia visto. Relutante, o cientista levantou os olhos de suas anotações, certo de que veria um trabalho digno de uma criança. Para sua surpresa, o mapa estava completo. Todos os pedaços haviam sido colocados nos devidos lugares.
Como seria possível? Como o menino havia sido capaz?
- Você não sabia como era o mundo, meu filho, então como conseguiu?
- Pai, eu não sabia como era o mundo, mas quando você tirou o papel da revista para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem. Quando você me deu o mundo para consertar, eu tentei mas não consegui. Foi aí que me lembrei do homem, virei os recortes e comecei a consertar o homem que eu sabia como era. Quando consegui consertar o homem, virei a folha e vi que havia consertado o mundo.

(autor desconhecido)


Yes, we can
"Sim, podemos” para a justiça e a igualdade. “Sim, podemos” para a oportunidade e a prosperidade. “Sim, podemos” curar esta nação. “Sim, podemos” consertar este mundo. “Sim, nós podemos”