Os Jogos Florais organizados pela Direcção da Sociedade de Instrução Tavaredense, na comemoração do seu 106º aniversário tiveram a participação dos sócios e amigos da Colectividade. Os textos a concurso tinham de se subordinar ao tema: “Caminhos do Teatro”.
Não tendo a pretensão e o formalismo de ser um concurso com uma carga competitiva, é porém uma tarefa que desempenho com muito empenho, alegria e alguma emoção.
A cerimónia de entrega dos prémios, teve lugar na Sessão Solene, do Aniversário da SIT, realizada no dia 17 de Janeiro de 2010.
Foi também com grande emoção e satisfação que recebi uma menção honrosa, pela minha produção literária, na modalidade de Poesia, no Escalão B, cujo título "Venho por aqui...".
Seguidamente à leitura do meu trabalho poético, foi-me entregue um troféu e certificado de participação.
A Presidente cessante da Direcção, Maria Clementina Reis Jorge da Silva no discurso final, salientou o significado desta iniciativa como forma de premiar a originalidade e a imaginação dos concorrentes, felicitando todos os participantes.
Em seguida transcrevo a minha poesia premiada para que conste aqui neste meu sítio e a possa assim partilhar com os meus amigos visitantes.
Venho por aqui…
Há caminhos que sigo,
Os do sonho da vida e do amor.
E o sonho fascina-me e prossigo…
São os caminhos onde dou cor
Com tintas de destino.
E tudo aquilo que imagino
É encontrar o meu caminho...
Venho por aqui…
Consigo ver nos teus olhos, cada cor do sentir,
Cada reflexo da tua máscara,
Cada sentido que pões em cena,
Somente contigo…
Vem comigo, basta persistir e seguir…
Eu sigo... Vem comigo…
Venho por aqui…
Vou sem destino, sem saber onde chegar.
Mas não me deixes sozinho, a esperar…
Bailamos no sonho assim como uma criança!
Mas o coração grita: – É mentira!
As interrogações que me perseguem,
Quantas delas são máscaras?
Venho por aqui…
Quem de nós tem a coragem
De aceitar a sua imagem?
Se eu ficar aqui só mais um pouco não dramatizo,
Venho por aqui…
Não me reveles teus sentimentos.
Sei que preciso viver a intensidade de cada desejo.
Era eu uma criança há quantos anos?
Hoje, removo a máscara de mim,
Que querem que eu faça?
Vejo um rosto que não é meu, uma imagem sem graça…
Venho por aqui…
À noite a minha máscara é a do dia
E as estrelas no céu
Não significam nada para mim.
Pertenço a um teatro de máscaras e o meu palco é a roda do tempo.
Mas eu não lamento
Que a máscara possa ser eu!
Venho por aqui…
O tempo está a chegar ao fim e sou o actor principal.
Para ti, sou a máscara simples,
Para mim, a máscara da vida,
A da criança renascida,
Sem fascinação, feitiço e magia.
Aquela que um dia…
Talvez?...
Venha por aqui…
JOMACO
Há já alguns anos que tinha pensado com a minha esposa fazer uma passagem de Ano em Lisboa. Foi este ano o escolhido para celebrar e receber o ano 2010. Então decidi descobrir através da net o que haveria de diversão, na hora em que os fogos de artifício explodem nos céus. A minha pesquisa incidiu nas zonas com características peculiares que atraem milhares de pessoas, como a Baixa Pombalina, Rossio, Chiado, Bairro Alto, Belém e Parque das Nações.
- A Baixa Pombalina, é no coração de Lisboa. Localiza-se sobre as ruínas que foram destruídas por um terramoto (1755). Trata-se de uma zona muito quadriculada e linear, foi uma zona estudada e idealizada por Marques de Pombal. A zona da baixa, é a zona comercial e de ócio por excelência em Lisboa, tem teatros, cinemas, restaurantes, monumentos, é uma área onde se encontram numerosas diversões. Nesta quadra festiva, os passeios nocturnos pela baixa são uma constante oferta aos habitantes de Lisboa e turistas. Um mundo mágico de iluminação, fantasia e sonho com as iluminações natalícias e alguma animação, que vão desde o Chiado até ao Rossio.
- Quanto ao Rossio, a Praça de D. Pedro IV, delimita a norte a área da Baixa Pombalina e é, desde há seis séculos, o coração de Lisboa. Renascida dos escombros deixados pelo terramoto de 1755 que assolou o País, a Praça do Rossio, com os seus cosmopolitas edifícios pombalinos, espaço soalheiro e acolhedor, que se enche de forasteiros ao longo de todo o ano. No centro da Praça ergue-se numa coluna de 28m de altura, a estátua de D. Pedro IV, o primeiro imperador do Brasil independente, aqui colocada em 1870. Na sua base existem quatro figuras femininas, alegorias à Justiça, à Sabedoria, à Força e à Moderação, qualidades atribuídas a D. Pedro. Esta coluna encontra-se iluminada com um adereço natalício de luz. No lado norte da praça fica o Teatro Nacional D. Maria II, que recebeu o nome da filha de D. Pedro, D. Maria II, cuja fachada está decorada com uma monumental cascata de luz. Muitas tradições ainda se mantêm nesta praça e uma delas é a paragem no Café Nicola ou na Pastelaria Suíça, que continuam a ser o dia-a-dia típico do bom lisboeta e também dos turistas. Todo o espaço envolvente se encontr a iluminado com decorações luminosas de Natal.
- No Chiado, que é um dos locais mais prestigiados de Lisboa e que fica situado entre o Bairro Alto e a Baixa de Lisboa, aqui se podem encontrar as mais diversas lojas de designers, ateliers, galerias de arte, museus, restaurantes, cafés típicos e modernos, livrarias, teatros e muitas manifestações artísticas e culturais. A estátua Luís de Camões, no largo com o seu nome, a Rua Garrett, os famosos cafés (entre eles o célebre “A Brasileira”, cuja esplanada ostenta a figura do poeta Fernando Pessoa sentado num dos seus locais preferidos da cidade). Até 6 de Janeiro, há Natal no Chiado e a decoração natalícia está em destaque e é baseada num conceito que cruza as formas fractais dos crochés com as das estrelas e flocos de neve.
- Outra sugestão é no Bairro Alto, famoso pela sua animada vida nocturna todo o ano e que se transforma para esta festa ao ar livre na noite de 31 de Dezembro.
Esta minha estadia em Lisboa não pode ficar completa se não falasse sobre a mega-Árvore de Natal ZON, que iluminava a cidade do alto do Parque Eduardo VII. Tal como no ano passado, a magia da época natalícia pode contar com a estrutura, montada no topo do Parque Eduardo VII, que rejubilava de alegria com cores especialmente escolhidas para a quadra.
O Centro Comercial Colombo é um centro comercial e de lazer localizado na freguesia de Carnide, em Lisboa. O Colombo teve, como habitualmente, também uma árvore de Natal, uma das maiores estruturas natalícias de interiores que conheço. Na Praça Central do Centro Colombo, onde estava a árvore, erguia-se um espaço mágico que neste Natal recebeu as crianças e os pais num ambiente divertido e repleto de brincadeira, mas que transmitia uma mensagem muito importante de harmonia e paz entre os povos de todo o Mundo. Para a celebração deste Natal, as marcas Oliveira da Serra e Fula e o Centro Colombo desafiaram todos os portugueses e não só, que se deslocaram até ali, para a construção de uma Grande Aldeia da Paz, espaço que proporcionou momentos didácticos, numa iniciativa que visava o apoio ao Instituto de Apoio à Criança (IAC).
Nunca gostei do Inverno. Para mim são muito insuportáveis os dias pequenos, escuros e frios. Principalmente o frio. Mas já regressei ao lar. Estou agora a escrever estas linhas no conforto da minha casa. O quente me conforta. Continuo a ouvir, lá fora, a chuva e o vento. E o frio que não sinto, mas pressinto… Tenho a TV ligada para ir tomando contacto com a situação meteorológica, dos acidentes, do país… e evidentemente que não me posso esquecer daquelas pessoas cuja situação de pobreza os levou ao limite da privação de direitos básicos e bens de necessidade primária para uma vida humana. Os excluídos, os “sem abrigo”.
Acabo este meu primeiro texto do Ano de 2010, transcrevendo pequenos enxertos, os quais achei muito pertinentes, retirados da mensagem de Ano Novo, do Presidente da República:
Na noite de Ano Novo tudo acontece como em todas as noites do ano.







As ruas iluminadas em muitas localidades fazem com que as pessoas se sintam envoltas no espírito de Natal. E as lojas das grandes superfícies e até as mais modestas de bairro e quiosques, estão cheias de tudo o que se possa imaginar. As condições para a grande festa do consumo estão preparadas. É difícil ficar indiferente aos apelos comerciais, que nos convidam e incentivam à compra. Os anúncios e as publicidades têm neste tempo o condão de fazer esquecer as desigualdades que acontecem em todos os lugares do mundo e a todo o momento.
As decorações e as luzes coloridas são os motivos que mais me animam e incentivam.
E a nossa atitude inspira-nos à confraternização, ao desejo de felicidade e aos votos de alegria.
Hoje este mundo já sofre com as doenças, os malefícios do consumismo, das compras descontroladas, da não sustentabilidade de todo um processo que é também capaz de produzir a alta tecnologia, a riqueza (?), o emprego (?), os alimentos (não suficientes), a qualidade de vida (infelizmente não é para todos) e todos os benefícios de que hoje podemos dispor (mas não toda a gente).
A CARTA DA TERRA, diz que chegou o momento de mudarmos e para tal devemos:
Não quero acabar sem deixar um pensamento de Dalai-Lama, que vem muito a propósito e dá para pensar e muito:
José Carlos Ary dos Santos era filho do médico Carlos Ary dos Santos e de Maria Bárbara de Miranda e Castro Pereira da Silva. Nasceu na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, a 07 de Dezembro de 1936 e faleceu a 18 de Janeiro de 1984 na mesma cidade. Ficou conhecido no meio social e literário por Ary dos Santos.

Desperto muitas vezes com esta pergunta a bailar na minha cabeça!

